“Serial” vai fazer você ouvir um podcast em inglês. Juro.

novembro 25, 2014

Você escuta algum podcast? Se sim, é bem provável que ele seja o Nerdcast, o Rapaduracast, o 99 Vidas ou outro no estilo papo de boteco, o “roda de amigos falando sobre um tema em comum” – a não ser que seja o Café Brasil, grande (e ótima) exceção. Se não, deve imaginar que esse tipo de formato não é interessante, justamente por conta do conteúdo “nerd demais”, ou por não gostar de rádio em si, o que já é um problema muito maior.

Eu me encaixo na primeira opção: sou ouvinte assíduo de pelo menos três ou quatro podcasts, mas sentia a vontade de conhecer algo diferente – sempre fui apaixonado por rádio, escuto música, noticiários e partidas de futebol por esse formato constantemente, e notei que os meus podcasts estavam estagnados em forma e quase em conteúdo.

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Aí veio Serial. Por mais de uma indicação, cedi e fui atrás de uma tal história em inglês contada em forma de podcast que narrava uma investigação criminal aparentemente fechada e com mais de uma década de idade. Tudo isso tinha, em teoria, chances de ser monótono e difícil compreensão. Provou-se o contrário: virou meu novo vício, consumiu parte do meu tempo e dos meus neurônios e, como uma droga de efeitos fascinantes, me fez sentir na necessidade de indicá-lo para o maior número possível de pessoas.

Serial é um podcast dividido em 10 episódios lançados em 2014 e narrados por Sarah Koenig, uma jornalista norte-americana que produz desde 2004 um programa de rádio chamado This American Life. Ele conta histórias de vida norte-americanas de uma ou várias pessoas – de celebridades e criminosos a completos desconhecidos com trajetórias incríveis. Serial é um projeto paralelo do programa que, com todos os méritos, se tornou mais famoso que o original.

Prazer, Adnan. (Reprodução/Daily Life)

Este é Adnan. Ele foi condenado à prisão perpétua (mais trinta anos). (Reprodução/Daily Life)

A história contada pelo podcast é a do assassinato da estudante Hae Min Lee, de 18 anos. Em janeiro de 1999, na cidade norte-americana de Baltimore, ela desapareceu e teve o corpo encoberto semanas depois. O ex-namorado da jovem, Adnan Syed, foi preso e condenado à prisão perpétua após julgamento. A testemunha de um amigo de Adnan, Jay, foi crucial para o veredito: ele afirma que Adnan o chamou para mostrar o corpo de Hae e pedir ajuda para enterrá-lo. Até aí, tudo bem – se não fosse pelo fato de que Adnan nega que isso aconteceu e que, analisando friamente, a história “oficial” realmente possui algumas brechas e não faz muito sentido.

E agora? Será que o filho de paquistaneses foi condenado injustamente, baseado em mentiras de um suposto amigo? Ou será que Adnan tem traços de psicopatia e é capaz de enganar Koenig e o espectador com lábia e simpatia? A história é extremamente envolvente: os personagens são desenhados aos poucos e, rapidamente, nos apegamos a uns e torcemos contra outros. É praticamente impossível que o curso da História seja mudado 15 anos depois, mas quem torce por Adnan tenta enxergar uma luz no fim do túnel que possa levar o já não tão jovem assim à liberdade.

Sarah Koenig, uma das minhas novas jornalistas favoritas.  (Reprodução/Serial Podcast)

Sarah Koenig, uma das minhas novas jornalistas favoritas. (Reprodução/Serial Podcast)

Koenig faz reflexões próprias, lê evidências do crime, entrevista pessoas envolvidas na época, reproduz fitas de depoimentos e faz tudo isso parecer uma incrível história de suspense, drama e tribunal. Há uma tendência de favorecer Adnan, que é um dos entrevistados, mas a jornalista sempre deixa claro que não descarta a participação do rapaz no crime, inclusive como o assassino.

“Poxa, mas é em inglês mesmo?”. Pois é: sendo um produto em áudio, sem chances para legenda – e só ler um roteiro, mesmo que na linguagem original, tira mais da metade da graça do programa. Ainda assim, você não precisa ser fluente ou nativo para entender Serial. Já veterana no rádio, Koenig fala pausadamente e com clareza, além de repetir várias vezes a mesma informação. As entrevistas e gravações, até pela qualidade do áudio, são um pouco mais complicadas de serem entendidas, mas a jornalista resume as falas mais rápidas. Se você perdeu alguma frase, aproveite que está escutando um podcast e simplesmente volte um pouquinho.

De cara, é impossível deixar de comparar Serial com outros produtos. A investigação minunciosa lembra “The Killing” e “True Detective”, enquanto a morte de uma adolescente, as suspeitas, bizarrices e relações entre os envolvidos têm uma pitada de “Twin Peaks”.

O Leakin Park, onde o corpo foi encontrado. Quase nada de Twin Peaks, né? (Reprodução/TRBMG)

O Leakin Park, onde o corpo foi encontrado. Quase nada de Twin Peaks, né? (Reprodução/TRBMG)

O podcast é um gênero popular nos Estados Unidos, com uma variedade bem maior do que o brasileiro. A impressão, entretanto, é a de que Serial causou alguma revolução: o público ficou perdidamente apaixonado pela história. Só no iTunes, foram 5 milhões de downloads – e esse dado com certeza já está bem desatualizado. Discussões com páginas de duração em fóruns e redes sociais reúnem várias pessoas com teorias próprias sobre o crime – de repente, todos nós viramos especialistas em Hae, Jay e Adnan.

Por outro lado (e sempre precisamos ouvir todos eles, como Koenig afirma sempre), há quem acuse Serial de ser um programa sensacionalista que se aproveita de uma tragédia. Em defesa do podcast, digo que é uma história como qualquer outra que vemos no telejornal – que, em muitos casos, faz explorações muito piores. Na série, inclusive, vemos aprofundamentos e reflexões que dificilmente um programa nacional consegue fazer.

O décimo e derradeiro episódio de Serial sai em 4 de dezembro e a expectativa está alta: será que algum plot twist pode mesmo fazer a diferença no crime? De qualquer forma, mesmo que a situação de Adnan não mude ou a verdade não seja revelada, uma coisa é certa. Os podcasts não serão mais os mesmos depois de Serial e não há como medir a quantidade de materiais de qualidade que surgirão depois dessa bomba explodir na internet – o próprio Serial deve ganhar uma segunda temporada com uma trama totalmente nova. Em outras palavras, lá vou eu esvaziar meu iPod para liberar um pouco mais de espaço.

O Twitter dos presidenciáveis – Edição 2014

setembro 21, 2014

Nas últimas eleições para presidente da República (quatro anos atrás, seus velhos!), resolvi fazer uma análise bem rasa e objetiva sobre os perfis no Twitter dos candidatos (Parte 1 e Parte 2). Não tá lá essas coisas, as imagens ficaram feias e muita gente ainda estava sem conta por lá. Agora, em tempo de Dilma Bolada, Aécio de Papelão e Marina Ecologia, e com todos os políticos tentando convencer o eleitorado jovem de que eles também estão conectados (quase sempre fazendo papel de ridículo por isso), será que a história mudou?

Claro que ninguém vai decidir em quem votar só pelas postagens no Twitter ou ao ver que o perfil é bem bolado, mas não dá para dizer que isso não faz diferença. O horário eleitoral anda cada vez mais massante, os candidatos se parecem muito uns com os outros e os debates são pouco frequentes — ou, quando acontecem, são em horário comercial ou em canais católicos que pouca gente conhece, ainda mais sem a divulgação necessária.

Os critérios são as imagens que compõem o perfil, do fundo ao avatar, além da frequência e do conteúdo das postagens, claro. Os perfis estão na ordem em que cada um aparece na última pesquisa de intenção de voto realizada e já peço desculpas desde já, mas não resisti e coloquei algumas piadinhas no meio. Entre as conclusões, já aviso: eles estão muito parecidos em forma e conteúdo, tirando poucas exceções, o que significa que a até as redes sociais foram atingidas pela institucionalização das mesmas estratégias.

E, apesar de agora ser um pesquisador em formação na área da política, resolvi não utilizar critérios acadêmicos ou autores aqui: faço essa análise como eleitor interessado e, acima de tudo, um grande admirador dessa rede social. Também já escolhi o meu candidato, mas a postagem não tem nada a ver com isso.

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Líder absoluta em número de seguidores, o caso de Dilma Rouseff é curioso. A presidente/a e candidata ao Twitter juntou-se ao Twitter cedo, no início da campanha de 2010, e prometia interação. Foi eleita e ficou três anos fora da rede social. Interagiu com o perfil falso e satírico Dilma Bolada e… sumiu novamente. Voltou na época da Copa, com postagens contendo discursos completos realizado na televisão e mensagens longas, feitas em partes, visivelmente fora dos padrões de 140 caracteres. Agora, voltou com tudo: postagens sobre comícios, os vídeos dos programas eleitorais, propostas bem resumidas e links para o site oficial. A parte visual é bem feita: a foto mudou para uma Dilma “visionária”, o fundo é limpo e objetivo e as imagens são bem escolhidas.

Por que seguir: É bom o líder de uma nação contar com um Twitter ativo, nem que seja mais institucional.

Para deixar de seguir: Será que ela não vai sumir de novo? O fake é mais popular (apesar do menor número de seguidores) e mais ativo que a presidenciável. E provavelmente fala aquilo que a candidata quer, mas não pode.

Para dar RT:

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A candidata que está em segundo lugar nas pesquisas e tem grande chance de ir ao segundo turno tem um perfil visualmente atrativo: foto séria da candidata como avatar, imagem de topo e fundo mostrando a campanha e a já célebre frase de Eduardo Campos. As twittadas de Marina Silva são críticas ao governo e a outros candidatos, resumo dos discursos de Marina em comícios e várias afirmações ou promessas. Mas, às vezes, vão longe demais: postagens de cunho poético, metáforas e divagações viram piada na rede social — vi alguém na rede social falando que parece Engenheiros do Hawaii e é bem por aí mesmo. Curioso ainda notar como Marina coloca “Sou professora de História” antes de “candidata à Presidência” na biografia.

Por que seguir: Críticas pontuais e inspiradas.

Para deixar de seguir: As mensagens poéticas de qualidade questionável, sem conteúdo e que não levam a lugar algum.

Para dar RT:

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Candidato do clássico partido de oposição do PT, Aécio Neves tem um perfil bastante ativo e que aposta em fotos. Várias vezes por dia, há imagens de campanha, infográficos, recortes de jornal, ilustrações com frases de efeito e algumas mais casuais, como da família do político. Retweetadas de aliados, como outros governadores e até celebridades, são frequentes. Possui poucas postagens, apesar de ter um dos perfis mais antigos. Não há críticas ao visual: as fotos são bem escolhidas e o slogan “bem-vindo” está lá. Não interage com eleitores, mas teve duas curiosas e rápidas discussões com Marina Silva. De resto, tudo bastante institucional e seguro — e até sem sal, dependendo do ponto de vista.

Por que seguir: Fotos em alta quantidade para admiradores e jornalistas não botarem defeito.

Para deixar de seguir: Minas, Minas, Minas. E nada de propostas.

Para dar RT:

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Único candidato que tem um cargo no nome, Pastor Everaldo passa o dia fazendo citações da Bíblia, usando hashtags e dando RTs. Ele reproduz manchetes de jornais, comentários de apoiadores (deputados como Marco Feliciano, “celebridades do Twitter” como o Pastor Malafaia e eleitores), além de postagens de perfil-irmãos, como o do blog de campanha. Há ainda várias fotos e vídeos do candidato em comícios e visitas, especialmente transportadas do Instagram — mas nada comparado a Aécio. Faz avisos sobre entrevistas e participações em igrejas, programas de TV ou sabatinas online. O número de seguidores é pequeno e as interações, sejam elas curtidas ou Rts, nunca chegam aos três dígitos.

Ah, eu já falei que ele gosta muito de postar hashtags e citações da Bíblia? E fica a dica: um pouco de Photoshop a menos nas fotos seria bom.

Por que seguir: É praticamente um resumo da bancada evangélica em um só perfil.

Para deixar de seguir: Falta de postagens próprias. E Bíblia online existe em vários outros lugares.

Para dar RT (só porque ele pediu):

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Infelizmente, Luciana Genro não usa o Twitter da mesma forma que usa o horário eleitoral ou o espaço nos debates. As falas de Luciana são sempre transcrições de discursos, nunca originais para a rede social, e a seriedade da candidata é transposta para o perfil. Não é crime usar uma equipe para atualizar o status, mas todas as mensagens parecem trabalho de assessoria — exceto uma ou outra em que interage com seguidores ou posta conteúdos mais pessoais. Por que não apostar mais nesse estilo? Ah, e dê uma pesquisada rápida: ela adora selfies. A parte visual dá destaque ao número da candidata, uma boa estratégia.

Por que seguir: Reproduz as falas ácidas e pontuais de debates e entrevistas.

Para deixar de seguir: É estruturalmente igual a todos os outros.

Para dar RT:

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Escolhido pela internet como “Plínio de 2014”, Eduardo Jorge mantém o estilo irreverente no perfil do Twitter. A conta é bastante eclética: contém propostas, discursos, mensagens no estilo PV de “paz e amor” (o que pode afastar muita gente e só gerar mais brincadeiras), Rts com elogios de eleitores e fotos de campanha, fora chamadas para o programa do YouTube que realiza pós-programa eleitoral. A parte visual é simples e objetiva, mas a imagem de fundo poderia ser melhor trabalhada. O perfil, assim como Everaldo e Rui Costa Pimenta, conta com o número junto do nome. Boa estratégia. Tem mais seguidores que os candidatos a seguir, mas o número é bem menor do que os demais e as interações são mais respostas de seguidores (e essas são muuuitas) do que curtidas ou retweetadas. Além disso, os próprios vídeos do canal do YouTube estão longe de serem um sucesso de audiência. Ou seja, por mais que a ideia seja boa, não adianta muito se pouca gente ficar sabendo.

Por que seguir: Postagens sérias de campanha, mas várias respostas divertidas aos seguidores.

Para deixar de seguir: O buzz gerado não é tão revertido em RTs, apesar do altíssimo número de menções.

Para dar RT:

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Bastante interessado por números e economia, Levy Fidélix twitta valores e comparações para criticar o governo atual. Há várias chamadas para entrevistas e aparições em programas de TV, sem contar fotos durante comícios e idas às ruas — é bem curioso ver o sujeito em roupas mais casuais e sorrindo ao lado de eleitores. Na estrutura, ele poderia usar fotos diferentes no topo e no perfil: repare como se trata da mesma imagem com fundos diferentes. No fundo, inclusive, o slogan de “endireitar” o Brasil também não é de autoria dele e há um detalhe logo abaixo que ficou encoberto: o nome do vice. Eu ficaria chateado.

Por que seguir: Quase sem menções ao aerotrem.

Para deixar de seguir: Quase sem menções ao aerotrem.

Para dar RT:

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Ey, Ey, Eymael, o democrata cristão, deixou o slogan de lado em 2014 e perdeu muita simpatia de muita gente. De longe o mais patriota dos candidatos (o que não é necessariamente algo bom), o presidente do PSDC defende o país, a bandeira e as leis com todas as forças no perfil, colocando até o livro em sua imagem de topo. Faz duras críticas ao governo, mas não deixa de lembrar aos seguidores sobre as próprias contribuições na Constituinte. As mensagens tem um caráter bastante autoral e, se é uma assessoria quem cuida da conta, há um ótimo trabalho em reproduzir o estilo e os pensamentos do candidato. Mas há um pequeno problema na sequência de tweets: ele usa a mesma foto para ilustrar várias postagens, algo repetitivo e levemente irritante.

Por que seguir: Ele dá bom dia e bom final de semana.

Para deixar de seguir: É só assistir a um debate com ele para saber todo o conteúdo do perfil.

Para dar RT:

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Primeiro dos três candidatos de extrema esquerda, Mauro Iasi tem um perfil que usa menos da cor vermelha do que os demais, o que pode ser algo positivo para não afastar quem possui um preconceito natural contra a ideologia comunista. A frequência de postagens é baixa se comparado aos outros candidatos e, quando ocorrem atualizações, a conta não é necessariamente bem aproveitada: há links para imagens, em vez da postagem de fotos em si, trechos do já curto programa eleitoral (por que não produzir algo maior para a internet?) e algumas novidades (acredito que não todas) da agenda do candidato. Charges, reflexões sobre o socialismo e Rts de apoiadores são conteúdos mais interessantes que aparecem por lá, mas menos constantes. Só que Iasi não poderia estar mais simpático na foto de fundo. Sério, tentem olhar para o sujeito e não sorrir junto!

Por que seguir:🙂

Por que não seguir: Pouco conteúdo aproveitável se você assiste ao horário eleitoral.

Para dar RT:

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A arroba de Rui Costa Pimenta é o perfil que tem menos seguidores e, pior, segue mais gente do que é seguido. Posta vários links de encurtadores e sem qualquer tipo de explicação. Cliquei em alguns e eles levam a canais do YouTube, ao site do próprio candidato e do PCO — mas e a preguiça de colocar ao menos do que se trata o enderço? A interação com seguidores e praticamente nula e não há respostas a quem envia uma menção ao perfil. Por isso e por dar Rts em vários perfis com ou sem relação ao partido, fica a impressão de que o Twitter é apenas um mero distribuidor de conteúdo do político, em vez de uma ferramenta efetiva de comunicação. Para finalizar, a foto de topo está em baixa resolução e a de perfil, apesar de representar bem o caráter militante e discursivo do candidato, conta com um braço intruso que ocupa espaço demais na imagem.

Por que seguir: Só para ter todos na coleção de seguidos.

Para deixar de seguir: Links de encurtadores poluindo a timeline.

Para dar RT (pareceu interessante e, tadinho, não tem nenhum):

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O operário metalúrgico Zé Maria tenta o cargo desde 1998 e só pulou 2006, mas é o candidato que menos tem algo interessante no Twitter para ser analisado. O antigo slogan do partido, aquele “E chega dos mesmos!”, não vale para a rede social: Rts de apoiadores, notícias envolvendo o candidato e transcrição de falas em entrevistas e debates estão lá. Há postagens da assessoria, mas uma indicação mostra quais são feitas pela equipe. Em outras, é o próprio candidato quem digita. A parte visual (avatar no fundo branco e imagem de fundo ao lado da vice e com o número) é bem parecida com os demais, porém impecável. Mas a interação é quase nula: se uma postagem recebe 10 Rts é muito.

Por que seguir: Discursos honestos e apaixonados ao operário.

Para deixar de seguir: Olha, sinceramente? Não sei. Tanto faz seguir ou não.

Para dar RT:

7 curta-metragens de terror que você precisa assistir

abril 17, 2014

Mesmo que o terror seja um dos meus gêneros favoritos para filmes, não consigo emplacar uma sequência de produções nesse estilo toda semana – tem vezes que você simplesmente quer assistir a alguma coisa mais curta e veloz, sem elementos bastante característicos de longa-metragens, como a construção de clima em uma cena ou o desenvolvimento do principal grupo de personagens.

É para sanar essa vontade que existem os curta-metragens, que são produções de menos de quarenta minutos (segundo a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, do Oscar), incluindo os créditos. Achou muito? Não se preocupe: alguns curtas não chegam nem aos dois dígitos de duração em minutos, sendo um ótimo passatempo para momentos de tédio.

Procurar esses curtas pela rede tem sido um dos meus mais recentes passatempos envolvendo terror. Essa não é uma tarefa fácil, especialmente pela dificuldade em filtrar o conteúdo: enquanto você encontra inúmeras fontes de críticas de filmes e consegue até adivinhar se uma produção é meia-boca ou não, com os curtas é quase sempre um tiro no escuro – e isso rende excelentes supresas, mas também a sensação constante de tempo perdido.

Para ajudar quem se interessa por essa forma de arte, segue abaixo um pequeno e breve compilado com alguns dos melhores curta-metragens que conferi recentemente envolvendo mortes, perseguições, criaturas de todos os tipos e aquela sensação de tensão e medo que os fãs detestam – mas que, no fundo, adoram sentir.

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6 atores famosos que começaram em filmes de terror

setembro 1, 2013

Não é fácil começar a carreira em Hollywood. Se você não tem um bom agente, parentes no ramo ou a sorte de ver o primeiro filme de sua vida virar um sucesso inesperado, o caminho para o protagonismo de grandes produções é árduo e pode levar alguns anos de papéis sem importância em filmes que ninguém leva a sério.

E esses papéis normalmente estão em filmes de terror. Por conta do baixo orçamento, o elenco normalmente é formado por jovens e adultos que buscam uma carreira estável, mas precisam se contentar em interpretar serial killers, mocinhas, mocinhos ou até mesmo figurantes. Alguns dão sorte: novas oportunidades surgem em seguida, até chegar em um papel de protagonista, um Oscar e uma carreira estabilizada. Acha que isso é só um sonho de Hollywood, a terra dos sonhos do cinema? Os exemplos abaixo provam que não – e seu maior ídolo pode estar entre eles. Leia o resto deste post »

“A Toca”: a primeira aposta da Netflix no Brasil é uma piada

agosto 9, 2013

Sou um consumidor ávido do Netflix. Assinei o serviço logo quando chegou ao Brasil. Mal liguei para os pontos negativos (a falta de lançamentos  é irrelevante, já que a proposta não é só essa, e o excesso de conteúdos só dublados foi rapidamente resolvido) e comecei a curtir cada vez mais o conteúdo do serviço de streaming, fácil um dos melhores e mais baratos investimentos mensais que já fiz.

Em 2013, passei a conhecer também os conteúdos originais (na verdade, a melhor palavra é “exclusivos”, já que a produção não fica por conta da própria empresa) e o resultado foi o melhor possível – “Lillyhammer” é sensacional, “House of Cards” é inteligente, achei “Hemlock Grove” instigante e Orange is the New Black não é para mim, mas admito que tem qualidade. Aí veio “A Toca”.

“A Toca” é uma produção de humor do Parafernalha, uma empresa de internet que foca em vídeos produzidos para o YouTube. O canal é o terceiro brasileiro com o maior número de inscritos (mais de 3,3 milhões) e o 12º com mais visualizações (cerca de 204,92 milhões), além de ter como chefe a já celebridade Felipe Neto, o desbocado pioneiro da onda de vlogs na internet nacional.

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Na série, que começa com três episódios de pouco menos de trinta minutos, a ideia é mostrar, de maneira ficcional, a rotina da redação e do estúdio do Parafernalha, no escritório chamado de A Toca, que conta com roteiristas, editores e atores. No meio dessas cenas, algumas das esquetes originais do canal são mostradas para diversificar o ritmo dos episódios.

Parece bacana, não parece? Pois, em resumo, o resultado é o pior possível.

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Pois é, eu assisti: “Sharknado” (2013)

julho 28, 2013

Nas últimas semanas, acredite se quiser, um único trailer foi mais compartilhado no Facebook que vídeos de gatinhos. Mistura de “Twister”, “Tubarão” e alguma droga bem pesada, SHARKNADO (que é “shark” + ”tornado”, e eu juro que não saquei de primeira) prometia ser o melhor pior filme de 2013.

Apesar de ser um longa-metragem de terror e ficção científica de baixo custo e qualidade ainda menor, a história aqui importa: uma tempestade atinge Los Angeles e arrasta milhares de tubarões coincidentemente em processo de migração e com sede de sangue para terra firme. E eles não surgem apenas no mar: alguns são arrastados por ventos fortes, formando um TORNADO DE TUBARÕES que dá nome ao filme. E Spielberg achando que um bicho só já fazia algum estrago…

As realizadoras são conhecidas no mercado da trasheira: o canal SyFy faz bizarrices de baixo orçamento, como “Boa vs. Python” e a The Asylum merece um artigo separado, já que costuma fazer versões “alternativas” de blockbusters para confundir o consumidor na hora de escolher o filme na locadora (pera, ainda fazem isso?), como “Atlantic Rim” (de “Pacifim Rim”), “Alien Origin” (“Prometheus”) e Transmorphers (preciso colocar a referência?).

Ou seja: tinha tudo para dar errado, mas dessa vez os caras pareciam acertar ao apelar para algo épico. Pareciam.

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“O Mestre dos Desejos”, um guia de sobrevivência contra gênios

abril 12, 2013

Graças a algumas obras para cinema e televisão, a figura do gênio virou um personagem carismático, bondoso e até de alívio cômico. Em “Aladdin”, quem sai da lâmpada é um sujeito azul, engraçado, sempre com um sorrisão no rosto e a paciência para salvar o herói de todos os perigos. Em “Jeannie é um Gênio”, é uma bela moça que cumpre desejos em um passe de mágica e sempre volta para uma aconchegante sala dentro de sua garrafa. Mas o personagem tem uma origem bem mais antiga e obscura, quase totalmente desvirtuada nessas produções.

Na cultura árabe, os seres capazes de realizar desejos conhecidos como djinns (olha a pronúncia como é parecida com o termo em inglês, por exemplo, que é ‘genie’) foram forjados pelo fogo depois dos anjos e antes dos seres humanos. Enciumados pela atenção do Criador aos homens, foram banidos da Terra – e nessa clausura adquiriram um desgosto profundo por Ele e por todas as suas obras. Se você notou alguma semelhança com a fé cristã, já deve ter percebido que o próprio Lúcifer pode ser classificado como um djinn. Por serem dotados de livre arbítrio, eles podem fazer tanto o bem quanto o mal, este sendo normalmente o mais escolhido.

Nem todo gênio é bacana (e azul) como esse aí.

Nem todo gênio é bacana (e azul) como esse aí.

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Três rounds contra Uwe Boll

março 6, 2013

Se existe um homem em especial que não aceita críticas sobre o seu trabalho, esse alguém é Uwe Boll. Sete anos atrás, cansado de comentários pesados de internautas anônimos ou não que dissecavam negativamente seus filmes e faziam abaixo-assinados para que ele se aposentasse, o diretor resolveu satisfazer o desejo de quem sempre quis socá-lo de verdade: abriu inscrições para críticos desafiantes dispostos a lutarem boxe contra ele, na oportunidade perfeita de tirar sangue do rosto do cineasta. Cinco pessoas resolveram entrar na brincadeira. As lutas aconteceram, o nome do diretor ganhou tempo extra na mídia e… seus filmes continuaram uma porcaria, não que alguém esperasse algo diferente.

Este é Raging Boll (um trocadilho de gênio com Raging Bull, o título original de “Touro Indomável”), um dos episódios pouco conhecidos mais interessantes, bizarros e divertidos do cinema contemporâneo.

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Schwarzenegger e os 91 minutos de Hércules…em Nova York

fevereiro 21, 2013

Sylvester Stallone começou a carreira de ator aos 24 anos, fazendo um curta-metragem pornográfico chamado “The Party at Kitty and Stud’s”, relançado quando o ator ficou famoso como “O Garanhão Italiano”. O primeiro papel de Bruce Willis foi o de um mero figurante que saía de uma lanchonete enquanto o protagonista, ninguém  menos que Frank Sinatra, entrava no mesmo local. Clint Eastwood não deu tiro nenhum em seus primeiros longas: era um assistente de laboratório em bombas como “A Vingança da Criatura” e “Tarantula”. Hollywood é o exemplo perfeito de que não se senta na janela logo depois de embarcar no trem: é preciso começar do zero, com papéis menos relevante e em longa-metragens muitas vezes de qualidade duvidosa. Mas o caso de Arnold Schwarzenegger é ainda mais especial.

Em 1969, o austríaco já era detentor do título de Mr. Universo (que só perdia em importância para o Mr. Olympia, que ele venceria sete vezes logo depois) e estava em uma de suas melhores formas como fisiculturista, ganhando cada vez mais fama no cenário mundial do esporte e ajudando a promover sua prática. E não pense que ele era só uma montanha de músculos: lendo a autobiografia do astro, é possível perceber que ele sempre foi um cara esperto, ligado em negócios, empreendedor e com sede por conhecimento. Mas o cinema ainda era um campo misterioso e inexplorado para ele, que nunca tivera aulas de atuação na vida (sim, ele teve depois, antes que você pergunte). Ainda assim, ele não pensou duas vezes ao aceitar o papel do brutamontes mitológico que dá nome ao filme “Hércules em Nova York”.

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Jesus Extraterrestre, uma salada literária com religião, ETs e Illuminatis

janeiro 18, 2013

Circulei por uma livraria de Curitiba há alguns meses só para me distrair, mas uma obra acabou me ganhando na hora pela capa, pelo título e pela possível maluquice da trama. É “Jesus Extraterrestre – Volume 1: A Origem”, do brasileiro Leo Mark. Mal precisei passar da sinopse para saber que, com certeza, aquela deveria ser uma das minhas próximas leituras.

Tudo começa mais ou menos assim: com Jesus crucificado, José de Arimateia recolhe o sangue de Cristo no Santo Graal e foge para o que hoje conhecemos como França com o objeto e Maria Madalena. A moça estava grávida – esperava uma filha do filho de Deus e daria origem a uma linhagem de descendentes divinos. E o Santo Graal não é tão importante quanto se fala, mas em sua base estava um cilindro que continha uma amostra do sangue de Jesus, pedido por um anjo a José. Mas o tal anjo, na verdade, era um alienígena interessado no retorno de Cristo, que seria clonado vários séculos depois.

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Sim, é isso mesmo que você leu. A trama de Jesus Extraterrestre, só em suas primeiras páginas, faz Dan Brown e suas ideias mais mirabolantes parecerem um Machado de Assis.

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