Só por diversão: Derek and the Dominos

Eric “Slowhand” Clapton é um sujeito único. Alguma dúvida?
– Foi criado pelos avós, Jack e Rose (não confundir com esses aqui), porém acreditando durante anos que eles eram seus pais.
– Integrou bandas consagradas, como o Cream, The Yardbirds e John Mayall & the Bluesbreakers, além de constantemente se encontrar com astros da época para simples jams regados a muito consumo de drogas.
– Ficou perto da morte várias vezes pelo consumo de drogas e álcool, quase levando suas inúmeras namoradas junto. Continua de pé, tendo visto vários colegas pessoais e profissionais morrerem pelos mais diversos motivos, como Jimi Hendrix e  Stevie Ray Vaughan. (Ok, nessa ele não difere de muitos roqueiros por aí)
– Foi um dos poucos que ousou fazer cover de Bob Marley em um gênero musical diferente. E se igualou o original.
– Perdeu o filho Connor, que teve com a modelo Lori Del Santo, quando este caiu da janela do apartamento do pai.
– Roubou Pattie Boyd do beatle George Harrison. Conquistou a moça com boa conversa e suas músicas mais românticas, como “Wonderful Tonight”.
– Deu vida à “Tears in Heaven”, um hino que demonstra todo seu luto por Connor e Jack, é uma das músicas mais tocadas em qualquer violão do mundo.
– Recebeu uma pichação em sua homenagem, com os dizeres “Clapton Is God”.
Mas o motivo do post é uma banda em particular, e não detalhar a vida toda desse sujeito. Deixo esse trabalho com sua autobiografia, que recomendo fortemente (compre aqui).

A década de 1970 estava começando – e prometia muito para o rock. Não havia mais Beatles e seus integrantes começavam a viajar em trabalhos solo. Clapton também estava sem banda. Seu único contato com a música era em reuniões com gente do naipe de Delaney Brammet e Jim Gordon, e nas quais a música, as drogas e a diversão predominavam. Estavam dando férias a si mesmos, cansados da fama, dos autógrafos, das obrigações e da pressão de gravadoras. Mas as férias viraram uma apresentação do grupo, no Lyceum Theatre, em Londres. E a apresentação virou um cd. E uma turnê. Nascia – e praticamente começava a morrer aí – o Derek and the Dominos.

Não há nenhum músico chamado Derek entre seus integrantes e o uso de nomes falsos era justamente para disfarçar a fama de seus componentes. Mas a música ainda era o verdadeiro rock feito por gênios – e isso era impossível de esconder. Juntamente com grandes faixas que beberam do blues e do jazz, Clapton liberou todo seu lado romântico em algumas das músicas, investindo cada vez mais em Pattie Boyd, que via seu relacionamento com o ex-guitarrista dos Beatles cada vez mais desgastado. “Layla”¹, o hit maior da banda, prova que o cara estava mesmo apaixonado. E Pattie entendeu o recado. Passaram os próximos quinze anos juntos.

Entretanto, a pressão do produtor Ahmet Ertegun para que o grupo abandonasse as drogas, o choque devido à morte de Hendrix, as constantes brigas entre os membros do grupo e a saída de Duane Allman (que voltaria a tocar com a The Allman Brother Band) provocaram o fim da banda, de forma tão impactante como foi seu surgimento. Novamente amargurado e sozinho na música, Clapton se entregou a uma novidade em sua vida boêmia – a heroína. Quanto aos Dominos, cada um seguiu para seu lado, deixando para trás um grupo que conseguiu exprimir sua emoção verdadeira de liberdade por ao menos um ano. O legado do grupo é um solitário cd que não foi sucesso de vendas na época de lançamento, o “Layla And Other Assorted Songs”, uma das peças mais brilhantes e cheia de sentimentos que o rock setentista foi capaz de produzir.

¹ “Layla”: http://www.youtube.com/watch?v=0WUdlaLWSVM

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