O brasileiro mais assustador de todos os tempos

Nomes de filmes nada convencionais. Aranhas e escorpiões reais em cima de suas atrizes. Roteiros extremamente sádicos e um gore on-screen, numa época em que a censura atingia seu auge.

Por essas e outras características peculiares, o cineasta José Mojica Marins ficou extremamente conhecido. E não só no Brasil, onde conseguiu a façanha de criar um personagem 100% nacional que foi aceito pelo público, mas no mundo, chegando a ganhar diversos prêmios internacionais na área do horror e do cinema independente. Não sabe ainda de quem estamos falando? Ora, Mojica é o criador e intérprete de ninguém menos que Zé do Caixão!


Ele passou grande parte de sua infância convivendo com o cinema, em especial um que era localizado em frente a sua casa e cujo dono era seu pai. Lá, o garoto de infância pobre viu grandes clássicos e aos poucos viu crescer em si a vontade de se tornar o homem por trás das películas. Começou do jeito mais precário possível, rodando curtas-metragem de qualidade duvidosa na vizinhança apenas com o auxílio de amigos. Foi após uma única noite que tudo mudou.

O diretor conta que em um de seus sonhos havia uma alma penada inteiramente negra que saia de um túmulo e o arrastava de seu quarto até sua própria sepultura. A estranha aparição o levou a criar um coveiro sádico e misterioso, sempre vestido de preto e com uma cartola. O Zé do Caixão fez sua estréia no filme “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, de relativo sucesso. No filme, o coveiro aterroriza a população local com sua aparência e personalidade. Josefel Zanatas (o belo nome do ‘Zé’) possui um único objetivo – achar a mulher perfeita que lhe dará o filho perfeito. Tal longa possui uma continuação, “Esta Noite Encarnarei No Teu Cadáver”, que ficou famoso pela utilização de insetos reais nas cenas, algo que rendeu muita preocupação para Mojica, sua equipe de produção e, obviamente, para as atrizes.

Seu maior obstáculo foi a censura militar. Filmes já não eram comuns no Brasil na época, imagine então obras trash de terror com violência explícita! Os militares chegaram a proibir totalmente alguns títulos, como “Finis Hominis” e “Ritual de Sádicos”, algo que deixa até hoje o cineasta extremamente magoado. Claro que ele não desistiu, lançando-os anos depois, mesmo após tentativas de destruirem todos os negativos e cópias das obras.

Além disso, o cinema brazuca andava caído na década de 80. A economia foi caindo e Zé decidiu ir para outro ramo obscuro do cinema, que começava a ganhar seu território: as famosas pornochanchadas (filmes de aspecto carnavalesco com doses de humorismo, caráter popular e bastante erotismo). Além disso, entre seus 60(!) filmes estão faroestes e melodramas.

Apesar do baixo orçamento e do apoio quase nulo, realizava quase um filme por ano, todos voltados para o gore, torturas explícitas e personagens amalucados. Zé do Caixão não aparece em todos, mas acabou universalizado, já que o diretor vivia caracterizado como tal, inclusive deixando as unhas de uma das mãos crescerem exageradamente, até cortá-las em 98. Atualmente, deixa uma ou outra com a aparência antiga.

O Coffin Joe(é assim que chamam o cara lá fora!), assim como diversas personalidades de nossa própria cultura, é um gênio lá fora e um louco aqui dentro. Produtoras não arriscavam patrocinar seus filmes e pouco é falado sobre ele em nossa área de cinema, exceto uns poucos que não acreditavam antes, mas agora o apoiam vendo o sucesso alcançado.

Em 2001, foi lançado “Maldito – O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, um ótimo documentário que conta sobre sua vida e obra. Ele foi premiado com o Prêmio do Júri no festival de Sundance, na Inglaterra. Um box com seus filmes mais comentados foi lançado há alguns anos, contando com dezenas de extras, som remasterizado e tudo mais. Em abril de 2008, estreou no Canal Brasil com um talk show entitulado “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, título de um de seus filmes. Como um “Jô Soares dark”, Zé conversa com diversas celebridades sobre os mais variados assuntos, todos eles bizarros e aterrorizantes.

O personagem foi revivido no ano passado com o lançamento de “Encarnação do Demônio”, que completa a trilogia de “À Meia-Noite…” e “Esta Noite…”. Com distribuição da gigante FOX, o sucesso foi absurdamente maior do que seus antecessores. E o sujeito ainda não cansou: mais um filme está previsto para 2011, com um orçamento de R$ 2,5 milhões!

Se você está lendo esse post hoje (13/03), deseje parabéns ao cineasta. Não só por sua importância ou suas conquista, mas é que hoje o Zé comemora seu 74° aniversário! Viva!

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Zé do Caixão é uma pokerstar
O talk-show de Zé no Canal Brasil
O que Mojica achou de "Lua Nova"...
... e Avatar.

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Uma resposta to “O brasileiro mais assustador de todos os tempos”

  1. Débora Says:

    Poxa, e eu não vi 1 filmezinho sequer do Zé! Mas isso vai mudar, e no dia da maratona Zé do Caixão aqui em casa eu te convido. Hahahahaha

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