A morte dos mortos-vivos?

É cansativo, mas ainda sim inegável ressaltar a importância de George Andrew Romero para o gênero de terror – e o subgênero de zumbis, um dos que mais se destacam no cinema. Agora, o velhinho simpático criador de “A Noite dos Mortos-Vivos”, “Despertar dos Mortos”, “Dia dos Mortos”, “Terra dos Mortos” e “Diário dos Mortos” (ufa!) nos traz… “Survival of the Dead”¹ !

Em 1968, Romero entrou para a história do cinema ao inserir mais uma criatura no hall de clássicos do horror, ao lado de mitos como vampiros, poltergeists, múmias e lobisomens. Esses humanos mortos, lentos e famintos por carne humana já foram altamente explorados em filmes, jogos, quadrinhos e livros. Basicamente, as histórias se concentram em um determinado grupo de sobreviventes que tentam lutar contra as criaturas e seus próprios semelhantes, tudo isso quase sempre em uma locação cotidiana infestada de zumbis – um shopping, por exemplo.

Em Diário dos Mortos, o diretor refaz sua saga de apocalipse zumbi, com ela começando nos dias atuais. Com Survival of the Dead, a história continua partindo de um dos personagens secundários do longa anterior, algo inédito até então para o cineasta: o coronel Crocket, cansado de ter que lutar contra as criaturas dia após dia e ver sua tropa diminuir cada vez mais, decide fugir. Leva alguns companheiros e segue sem rumo, até aceitar a oferta de um estranho que deseja voltar a uma ilha que seria mais segura que a terra firme. O estranho é um dos grandes senhores de uma ilha distante da costa, Patrick O’Flynn, que foi expulso de casa por Seamus Muldoon, outro patriarca do local que acredita em outro futuro para os mortos-vivos. (vou poupar o leitor de spoilers, mas não espere grandes falas e reviravoltas,  exceto UMA boa sacada quanto às criaturas)

Misturando duas histórias diferentes (a briga entre os ‘cowboys’ da ilha e a sobrevivência dos soldados), Romero se perde e acaba não desenvolvendo bem nenhum dos pontos, deixando os personagens extremamente rasos, antipáticos e previsíveis. Além disso, o roteiro, talvez o mais fraco de sua carreira com zumbis, insiste em piadas forçadas e dá importância para um fraco personagem adolescente que surge do nada – e ainda empurra um romance para o sujeito.

O uso exagerado de efeitos especiais (que ficaram ruins), ao contrário do excelente trabalho de maquiagem executado pelo especialista Tom Savini nas obras anteriores de Romero, é talvez o ponto negativo mais estridente. Algumas mortes são dignas de risos, o que é preocupante. O trailer final do longa já entrega rapidamente algumas delas, como um aviso do que está por vir. Ainda assim, a assinatura do pai dos zumbis nos faz ver o filme sem pensar duas vezes, por pior que seja o resultado.

Enfim, Survival of the Dead parece ser o ápice da decadência do mestre Romero, que já havia recebido algumas críticas (algo inédito até então) em Terra dos Mortos e muitas outras em Diário dos Mortos. A falta de criatividade e inovação é evidente, mas alterna-se entre raros bons momentos que só ele sabe fazer (se bem que até a sempre presente crítica social é mal explorada aqui, pasme). Se o criador do subgênero não sabe mais o que fazer, então não sei qual o futuro dos zumbis. Parece que nos resta apelar para a nova safra que segue um caminho diferente: os independentes (que volta e meia criam um conceito novo), os de comédia (aqui sai muita coisa boa) ou os remakes (aqui nem tanto) – ou então rever os clássicos, aquelas belas e antigas obras que são intocáveis e nos mostram o pior do ser humano.  Estando ele vivo ou morto. (4/10)

¹ ainda sem título em português
² no blog do REVIL você encontra uma boa resenha do clássico Zombie, de Lucio Fulci - http://migre.me/sycH

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Uma resposta to “A morte dos mortos-vivos?”

  1. Débora Says:

    zumbis \o/
    é sempre a mesmíssima história, mas ainda assim não me canso desses filmes! hahahaha

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