Por um punhado de pixels

Tenho vagas lembranças dos meus primeiros anos de contato com o videogame. Faço questão de não esquecê-las, ainda mais agora que resolvi aceitar minha condição de “velho”. As primeiras duas gerações que acompanhei foram ao lado de um “Nintendinho” e um Super Nintendo, ambos doados por um primo que havia acabado de comprar o sucessor. O que para ele era um console ultrapassado, em minhas mãos era uma maravilha tecnológica. Lembro vagamente de jogar Ice Climbers. Mario. Excite Bike. Aí veio o SNES e as lembranças ficam mais claras, com os jogos ganhando um ar mais moderno, de realidade. Ah, que ingênuos éramos nós em acreditar que aquilo podia ser chamado de realidade!

Hoje, ninguém consegue acreditar que um amontoado de pixels levemente diferenciados é um ser humano. Quanto mais próximo da realidade o homem nos games está, melhor. Nem é possível mais ver os pobres pixels nas grandes modernidades em termos gráficos!  Mesmo que isso signifique você deixar o videogame fazer quase tudo por você – como o cinematográfico Heavy Rain¹, que ainda não tive a oportunidade de jogar, mas espero ansioso.

Essa preocupação com o gráfico não significa, entretanto, que outros aspectos sejam jogados em segundo plano. Ninguém simpatizaria atualmente com um encanador bigodudo que simplesmente precisa andar por diferentes fases em busca de uma princesa – o Mario clássico, hoje, não passaria de um daqueles jogos em flash que você abre para passar o tempo no trabalho. Os roteiros estão igualmente próximos da sétima arte. Aqui podemos incluir novamente Heavy Rain e introduzir mais um título, o motivo que me levou a escrever aqui: Alan Wake.

Alan Wake já é interessante o suficiente antes mesmo de colocarmos as mãos nele: quase virou lenda, pois se passaram quase cinco anos desde seu anúncio em 2005 e nada acontecia. Em 2009, finalmente, o desenvolvimento foi confirmado e neste ano ele está pronto para sair no mês que vem. A ambientação combina elementos de histórias de Stephen King (citado logo no início do game) e Twin Peaks, além de jogos do gênero como Silent Hill. Na história, o escritor atormentado (sim, isso está começando a virar clichê) que dá nome ao jogo viaja em busca de uma solução para seus pesadelos, que vem agora em forma de suas próprias criações. Os cenários, vastos e detalhados, casam perfeitamente com a jogabilidade inovadora e criativa – você precisa dar luz aos seus inimigos que são feitos de escuridão para enfraquecê-los, para aí então atirar nos sujeitos.

Alguém viu um pixel solto ali? Pois é, nem eu.

E nem sinto tantas saudades deles.

¹ http://www.youtube.com/watch?v=bnck2oXdxMo

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Uma resposta to “Por um punhado de pixels”

  1. Spencer Says:

    “Ninguém simpatizaria atualmente com um encanador bigodudo que simplesmente precisa andar por diferentes fases em busca de uma princesa…”

    Esse é o pior problema atualmente, pois com os conglomerados de distribuição de games pressionando as produtoras para obter garantia de lucro, a chance de uma nova idéia surgir no mercado é quase nula.

    Nesse atual cenário, será cada vez mais difícil a possibilidade de existirem novos “Marios”, a não ser que seja criada plataforma de distribuição em larga escala e aberta.

    Mas mesmo nos nossos dias, onde a alta definição dita o mercado, existem excelentes título que nos remetem ao passado 2D, como, Aquaria, excelentíssimo Braid, Flow, dentre alguns outros.

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