Mini-resenhas #02 – Especial documentários

Documentário é um gênero que exige atenção do telespectador. Perder uma fala ou uma informação de alguns segundos no início pode comprometer as próximas horas de exibição. Para isso, não faltam recursos para prender o público-alvo durante toda a exibição. A questão também envolve o tema escolhido: você pode arriscar assistir qualquer filme de terror simplesmente por gostar do gênero, mas passaria longe de qualquer documentário sobre “literatura russa do século XIX”, por melhor que ele possa parecer, apenas por não ter interesse.

Seguem breves resenhas de alguns documentários que assisti recentemente. Priorizei inicialmente os nacionais, mas a memória me prejudicou e acabei escolhendo algumas boa surpresas estrangeiras.

Alô Alô Terezinha (2008)
Direção: Nelson Hoineff

Descrito em uma palavra: caos.
Mais 15 minutos de fama tardios para quem não conseguiu emplacar na época de Chacrinha. As incontáveis participações que poderiam acrescentar algo se tornaram apenas uma série de trechos “a capella” e de vergonha alheia em alto nível proporcionados por ex-calouros e até ex-famosos. Além disso, o documentário mal fala do protagonista (!), atendo-se às bizarrices dos calouros e das chacretes. Essas, aliás, merecem atenção especial: ocupam praticamente metade do longa e não demonstram a menor vergonha ao colocar suas antigas e minúsculas vestimentas, mesmo com muitos anos e quilos a mais. Apelativo e bizarro, mas bem editado.

Bom, pelo menos valeu pelo webhit do Byafra¹. 4/10

Personal Che (2007)
Direção: Douglas Duarte e Adriana Marino

Dos inúmeros documentários que  Mostra a popularidade clichê do guerrilheiro de todos os pontos de vista possíveis, não se atendo a figura mística do guerrilheiro, mas sim às diferentes figuras criadas com base em sua história.
Com sequências longas que às vezes soam cansativas, mas sempre importantes, o filme mostra desde quem visita seu túmulo frequentemente até aqueles que usam sua face estampada na camiseta sem ao menos saber quem ele foi. Belos exemplos de esperança em uma única figura que inspira liberdade, fé, determinação e exagero. 7/10

Simonal: Ninguém Sabe o duro que dei (2009)
Direção: Micael Langer, Calvito Leal, Cláudio Manoel

Sem dúvidas, um personagem que merecia ter sua história contada de forma digna, pois sua importância para a música e a televisão brasileira hoje não é mais forte que seu completo esquecimento. A narrativa é como deveria ser todo documentário, sem arrastar e implorar para que o público permaneça olhando para a tela. Ponto positivo por reproduzir na íntegra (e sem cansar) algumas de suas performances mais memoráveis. Divide-se entre isso, contar a história de Simonal e discutir suas polêmicas na época da ditadura. 8.5/10

Metal: A Headbanger’s Journey (2005)
Direção: Sam Dunn, Scot McFayden

Que resultado você imagina para um documentário sobre heavy metal feito por um metaleiro? Vale citar, no caso, que o metaleiro é um antropólogo especialista no gênero. Mesmo não sendo fã dessa vertente do rock, não tive como não ficar impressionado com o poder do heavy metal. O diretor dá um verdadeiro show ao mostrar o peso desse estilo na vida de milhares de adolescentes de diferentes culturas. Não se contentando apenas em apresentar o gênero aos leigos, Dunn vai além e direciona o documentário por caminhos perigosos como a polêmica da má influência aos jovens e a aproximação com o satanismo. 8/10

Titãs: a vida até parece uma festa (2008)
Direção: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves

Sou suspeito para falar desse aqui: considero esta como a melhor banda de todos os tempos da última semana do país. Aqui, como em Alô Alô Terezinha, predomina o caos, com a diferença de agora ser justificado. É um documentário que pensa inicialmente nos fãs, trazendo performances inéditas e momentos-chave para a banda sem grandes explicações. A trajetória do grupo é contada em parte pelo próprio Branco Mello, que levava nas turnês uma inseparável câmera para registrar on e off-stage. Mas a indicação vale também para quem nunca ouviu uma música dos sujeitos: grandes sucessos e algumas pérolas desconhecidas tocam incessantemente. 8.5/10

—–

¹ http://www.youtube.com/watch?v=TEhUvUxQ3L4

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