Gamereview #01 – “Braid”

À primeira vista, parece mais um jogo que presta homenagem aos clássicos precursores do gênero plataforma. Temos uma planta carnívora que sai de um cano no chão, castelos, bandeiras e princesas (característicos da série Mario) alavancas e plataformas móveis e a possibilidade de voltar no tempo (da série Prince of Persia). Mas Braid não é mais um jogo desse gênero. Na verdade, o fato de ele ser um side-scroll de aventura é apenas a mais básica de suas características.

Você controla o homem simpático – e de traço tosco – chamado apenas de Tim. A única informação que temos sobre o sujeito, inicialmente, é de que ele está atrás de uma Princesa. Para chegar nela, passar pelas portas que separam as fases não é o suficiente: como numa reconstrução de sua vida e memória, Tim deve coletar pedaços que formam um quebra-cabeça que remete a uma passagem de sua trajetória – que não vemos necessariamente numa ordem de tempo cronológica comum. E é aí que está a dificuldade, pois algumas peças exigem de você longas pausas para observar o fluxo dos inimigos e objetos do cenário, para enfim encontrar um jeito de alcançá-la.

A capacidade de identificação com Tim e sua saga nos faz pensar na gama de poderes que ele recebe e nas possibilidades que teríamos ao utilizar tais manobras em nossas vidas. Que tal voltar no tempo e corrigir aquelas ações ou palavras colocadas na hora errada? Ou poder  estar em dois lugares ao mesmo tempo (evitando escolhas difíceis), ou diminuir o curso do tempo? São poderes que cabem apenas à nossa imaginação, nunca na realidade – mas, aparentemente, nosso herói Tim ainda não se convenceu disso.

Em uma definição breve, Braid constitui uma obra de arte, tanto em história quanto em design e funcionamento do jogo (o que remete às duas paixões do autor, Letras e Ciência da Computação).  Cenário, jogabilidade e trilha sonora atuam juntos com uma harmonia pouco vista hoje em dia. No enredo, é possível identificar duas grandes histórias que são traçadas paralelamente: uma que parece ser uma metáfora a um certo acontecimento da História e outra que é a tal história de amor que inicialmente é o foco.

Com botões tão fáceis de se manusear quanto qualquer ‘Mario’ ou jogos-irmãos de desenvolvedoras podersosas, Braid se destaca por ser muito mais com muito pouco. E prova que videogames, sim, podem nos levar a profundas reflexões.

O jogo pode ser comprado pela Live, o sistema online do Xbox360, ou ‘adquirido’ (if you know what I mean) para PC.

É leve, divertido, um passatempo absurdo e digno de maior divulgação. Recomendadíssimo! Corra jogar o mais rápido possível – aqui na vida real, o tempo não vai parar, voltar ou desacelerar para te esperar. 10/10

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Uma resposta to “Gamereview #01 – “Braid””

  1. maskexd Says:

    Yay, quero emprestado.

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