Terror “Made in France”

Salvo raras exceções, o cinema ‘mainstream’ sofre forte domínio dos Estados Unidos. Seus filmes são exportados para o mundo todo, tornam-se sucesso de bilheteria e abocanham uma parcela que poderia ser destinada às produções nacionais. O caso pode ser transposto para o cinema brasileiro, mas aí é outra história. O papo aqui é o gênero de filmes de terror, que sempre foi extremamente suprimido por Hollywood.

Quando um sucesso estoura no ‘estrangeiro’, a primeira medida, ao invés de legendar a película e exibi-la nos cinemas locais, é fazer um remake gêmeo, mas nos moldes culturais e cinematográficos norte-americanos. Para continuar intocável e ao mesmo tempo destacar-se no circuito mundial (e, claro, em seu próprio circuito em meio às produções do resto do mundo), a palavra é inovação. A proposta pode ser simples, mas seu desenvolvimento deve prender e angustiar o espectador – diversão e risadas, aqui, ficam para comédias e romances. Nesse caso, o cinema oriental já alavancou grandes longas (quase todos já refeitos), mas a bola da vez são as produções da França.

O Terrivialidades analisa agora cinco produções de terror vindas diretamente da terra do Zidane. E já adianto características comuns a todos eles: personagens femininas fortes e violência visual e psicológica elevados ao máximo.

# Martyrs (2008)

Duas amigas saem em vingança contra um grupo que perseguiu e maltratou uma delas quando menor.

A história muda muito mais, mas entregar o resto do filme seria estragar a experiência. O filme nos transporta uma agonia extrema e uma violência emocional. O espectador acaba imerso no psicológico dos personagens por meio da repetição. Há bastante gore, mas o clima pesado é o principal elemento de horror aqui. O roteiro toma rumos fantasiosos no ato final, mas nesse momento já estamos presos o bastante. Facilmente um dos melhores lançamentos não só do cinema francês de horror, mas de todo o ano de 2008 e, infelizmente, deverá ganhar remake em breve. 9/10

———————————————–


# Haute Tension (Alta Tensão, 2003)

O mais novo dos cinco tem uma das sinopses mais simples: a jovem Alexia leva sua amiga Marie para a fazenda de seus pais para terem um tempo de estudo e paz. Mas o serial killer que invade a casa da família à noite não fazia parte do pacote.
O filme apresenta poucas situações realmente originais, mas a proposta simples, o desenrolar dramático (porém não tão agradável) e a direção de um até então novato Alexandre Aja (“Viagem Maldita”, “Piranha 3D”) seguram o espectador até o final. É um bom e velho slasher, como há tempos não se via. Violento, sem escrúpulos, com um drama construído pela fuga bem plausível. 8/10

———————————————————


# À l’intérieur (A Invasora, 2007)

Recuperada de um acidente, uma grávida se vê novamente em risco de morte pouco tempo depois: agora, prestes a dar a luz, ela é perseguida por um estranho em sua própria casa.

Aqui temos novamente a agonia como principal sentimento transmitido, transportado para uma única casa com menos de meia dúzia de personagens participando durante toda a projeção. O gore e a crueldade do antagonista são mais intensos aqui – e o clima não é tão família. É uma pena que tenha sido o único trabalho da dupla de diretores responsáveis até então. 7.5/10

————————————————–

# Ils (Eles, 2006)

Lucas e Clementine se veem perseguidos por misteriosos sujeitos no meio da noite. O que antes não passava de batidas na porta e toques de telefone vai ficando mais hostil . Isolados em casa, o casal precisa correr para sobreviver à ameaça que parece invisível.

Esse aqui é interessante. Muito diferente das demais produções analisadas, pois não é propriamente um filme de terror. Lembra muito os giallos italianos, com uma pegada de suspense e gore quase zero, sem perder o clima tenso. Destaque para a história simples, com dois (bons) protagonistas e um único ambiente (a velha-casa-enorme-localizada-no-meio-do-nada). É quase um filme-pipoca e o mais recomendável da safra francesa para se ver acompanhado de quem não seja tão adepto do gênero. É uma pena que alguns planos longos tornam-se cansativos, principalmente pelo fato do filme não inovar ou arriscar. A dupla de diretores daqui foi responsável por “The Eye”, um péssimo remake com Jessica Alba e que leva o mesmo nome do original japonês, que é bem interessante. 7/10

——————————————————-

# La Horde (Legião do Mal, 2009)

Um grupo policial vai até um prédio abandonado acertas as contas com uma gangue que assassinou um de seus parceiros. Enquanto acertam as contas, fora do edifício o apocalipse zumbi já começou – e mais difícil do que sobreviver aos mortos-vivos é não matar uns aos outros.

Primeira tradução ruim do cinema de horror francês. E esse aqui é levemente abaixo do nível imposto, também. O longa aposta em zumbis corredores em ambientes claustrofóbicos, fórmula bastante interessante. A novidade é que os sobreviventes já eram desafetos antes mesmo do caos começar – e não vão esquecer das desavenças nem mesmo durante a tentativa de deixar o local. Violência bem explícita, personagens bizarros, situações bem filmadas, mas nenhuma grande novidade. 6.5/10

Tags: , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: