Dê uma chance ao rock argentino (parte 1-2)

Meu gosto musical nos últimos tempos não se alterou nem um pouco. Continuo gostando de músicas velhas, de um bom rock. O que aconteceu recentemente foi que muitos artistas novos foram adicionados ao meu player e dele não sairão tão cedo. Esses artistas já estavam por aí há anos – e muito mais perto geograficamente. Fica aquela sensação de “por que diabos não conheci isso antes?”.

Para apresentá-los, primeiramente, peço que deixe o futebol de lado. Você poderá xingá-los a vontade no dia 17 de novembro, durante o amistoso contra a seleção brasileira realizado no Qatar. Enquanto o jogo não chega, vamos a um pouco de história.

O rock argentino foi uma das primeiras manifestações de rock em espanhol. Mas antes das composições em castelhano começarem, a influência era a própria explosão do rock nos EUA, especialmente com Elvis Presley e Bill Haley, este se apresentando por Buenos Aires (e aqui no Brasil) em 1958 para impregnar de uma vez o gênero na América Latina. A partir daí, a Argentina começou a dançar o rock ‘n roll, mas ainda era apenas um país composto por fãs. Grandes nomes como Charly García, Gustavo Cerati, Luis Alberto Spinetta e Pappo ainda eram crianças e observavam seus pais passando pela revolução que o rock causou. A produção – em massa, diga-se de passagem – começaria apenas na década seguinte.

“Te acuerdas de Elvis, cuando movió la pelvis
el mundo hizo plop y nadie entonces podía entender
qué era esa furia.”
– Mientras miro las nuevas olas – Serú Girán

O primeiro roqueiro do país foi Eddie Pequenino, filho de italianos e amante do jazz – nada argentino e nada rock, à primeira vista. Apesar dos adeptos do rock norte-americano começarem a migrar lentamente para as composições em espanhol, o estilo concorreu inicialmente com o tango – e aí nem precisa ser argentino para saber que era uma briga dura.

O estilo também era considerado invasão cultural estrangeira. Faltava algo que fizesse com que os argentinos se identificassem com a música, enxergassem as cores de sua bandeira ao invés das cores yankees. Essas críticas foram essenciais para que os futuros músicos se inspirassem em criar uma corrente nacional própria.

O rock argentino nasceu de vez e tornou-se um movimento de contracultura. Era uma das muitas épocas turbulentas no país e muitas das músicas criadas tratavam de protestos e temas que interessavam aos jovens – e qualquer semelhança com os anos de ditadura no Brasil não são mera coincidência, a música é realmente algo fantástico.

Além disso, outros estilos eram incorporados com facilidade, dando a cada banda uma característica e um som diferente. Sendo o rock uma própria mistura de gêneros, nada mais justo que incorporar o ska, por exemplo, trazendo resultados bem interessantes.

Dando um salto para os idos da década de 70, quando o gênero nacional finalmente se consolidou, não era mais possível reconhecer no rock argentino as melodias dançantes do rockabilly e nem o protesto da juventude engajada. Eram outros tempos, outros gostos e as crianças citadas anteriormente cresceram e se tornaram os novos ídolos daquela geração, cada qual com seu estilo.

Hoje, do mesmo modo que os ídolos do classic rock inglês e norte-americano, a maioria desses artistas já percorreu longa carreira ou sequer está presente em corpo. Mas ao contrário de um Beatles ou um Queen, a admiração não consegue ultrapassar as barreiras da América Latina (por onde são todos idolatrados, diga-se de passagem) e, veja só, mal entra no vizinho Brasil. São muitas as pessoas com um ‘bloqueio’ pelo espanhol e que passam longe de qualquer canção no idioma. Não sei se isso se deve pela educação musical em inglês/português apenas ou mesmo por puro gosto, isso aí já está além do meu conhecimento. De qualquer forma, insisto: dê uma chance ao rock argentino!

(A Wikipédia em espanhol é uma fonte incrível de informações sobre o rock argentino. Apesar de ela não ser a fonte mais confiável do planeta em certos aspectos, aqui ela se encontra bastante completa. Recomendo que comece pesquisando simplesmente pelo gênero e aí vá clicando nas bandas e artistas. Satisfação garantida.)

(Semana que vem [juro] sai a segunda parte do especial, com as indicações.)

Tags: , , , , ,

2 Respostas to “Dê uma chance ao rock argentino (parte 1-2)”

  1. Dê uma chance ao rock argentino (parte 2-2) « Terrivialidades Says:

    […] Terrivialidades « Dê uma chance ao rock argentino (parte 1-2) […]

  2. liana Says:

    maravilhoso,escreve bem e a materia foi mto boa,show de bola

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: