O show aconteceu e eu não estava lá

Que minhas preferências musicais já morreram ou aposentaram, isso todo mundo sabe. Mas nem eu mesmo nunca tinha parado para pensar em quem eu realmente queria ter visto ao vivo. Sentir o calor do público, a realização dos músicos, cantar e pular a cada nova canção iniciada. Não é qualquer artista que te faria sentir assim, certo?

Segue o Top 5: “Shows que eu queria ter visto”!

5. Black & Blue

Imagine duas grades personalidades do rock se juntando para fazer uma turnê. Beatles e Stones, Dylan e Cash (opa, isso quase aconteceu!), Clapton e Hendrix, Cine e Restart. Você não veria apenas um conjunto de rock, mas seria também entretido por outra de igual força, como em um pequeno festival. Foi o caso de Black & Blue, uma turnê do início dos anos de 1980 envolvendo o Black Sabbath (com Dio assumindo os vocais) e o Blue Öyster Cult (com sua formação original).

Infelizmente, as bandas não se misturaram, salvo raríssimas exceções como o “empréstimo” de Tony Iommi na guitarra de “Born to be wild” cantada pelo BÖC. Mas o setlist era variado: uma banda tocava algumas e era substituída pela outra, que cantava mais algumas e deixava novamente o palco.

Do show que foi gravado e lançado e VHS e Laserdisc, saíram algumas pérolas que estão disponíveis no YouTube, como a já citada performance inspirada de “Born To Be Wild” por parte do BÖC, uma das bandas mais nerds do rock, e os maiores sucesso da “Era Ozzy”, pelo finado Ronnie James Dio e o Sabbath.

4. Woodstock

Essa é clichê e clássica, mas não posso deixar de incluir aqui. Não ligo pra lama, pra legião de hippies e pros artistas mal conseguindo ficar de pé e cantar por causa das drogas: o festival foi um marco da expressão humana e, na medida do possível, da música.

A lista de artistas faz com que o Rock in Rio 2011 pareça o festival de bandas do seu colégio: Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Crosby, Stills, Nash & Young, Jimi Hendrix e Joe Cocker, que imortalizou-se como um dos músicos capazes de cantar Beatles com mais autenticidade que eles próprios.

Apesar do rastro de destruição e sujeira que Woodstock deixou na minúscula Bethel, o mundo não vai esquecer tão facilmente o dia em que todos os hippies dos Estados Unidos se reuniram em um único lugar para fazer absolutamente nada, a não ser curtir a vida e uma boa música.

3. George Harrison live at qualquer lugar

Ele ajudou a produzir “A Vida de Brian”, uma das grandes comédias de todos os tempos, além de compor “While My Guitar Gently Weeps”, “Here Comes The Sun” e “Something”. Não é preciso fazer mais nada para que eu queria ver um show desse sujeito, mas ele fez. O guitarrista dos Beatles deu um ar musical mais maduro para o supergrupo, apesar do ritmo indiano não ser o meu favorito.

E não falo de um de seus festivais beneficentes, mas um show solo com músicas de sua autoria da época de Beatles e também um pouco de sua carreira solo, que inclui boas obras como “All Things Must Pass”, “All Those Years Ago” e “I Got my Mind Set on You”.

Infelizmente, a derrota na luta contra o câncer e a reclusão impediram o público de apreciar Harrison comandando um palco. Mas que fica a vontade, ah, se fica…

2. Johnny Cash live at Folsom

Johnny Cash andava mal, com a carreira e a vida sendo engolidas pelas drogas. Como um ato de redenção e recuperação comecial, ele decidiu gravar um álbum numa das piores prisões dos Estados Unidos. Se deu certo? É o CD mais consagrado de sua carreira e June Carter, que faz particpações especiais aqui, aceitaria se casar com ele dois meses depois.

Contrariando o bom senso e soltando uma música atrás da outra que falava sobre saudades de um amor distante, prisão, crimes e morte, Cash proporcionou aos detentos do local o que talvez foi o dia mais feliz da vida de cada um, ao menos durante a estadia em Folsom. Foram sucessos como “Cocaine Blues”, “Jackson”, “I Got Stripes” e o poderoso “Folsom Prision Blues”, que fazia com que 99% do público se identificasse com a música.

Fora a sensação de liberdade, mesmo que por um pequeno momento, eles sentiam que alguém os entendia. E, além de entender, cantava e tocava bem demais! Uma boa notícia? Se você também não viu esse aqui, você não estava preso em Folsom em 1968.

1. Queen live at Wembley

O concerto definitive que qualquer banda de rock gostaria de ter. O ano era 1986. O Queen estava em seu auge, já havia passado por incontáveis estilos musicais em seus 13 anos de existência e tinha no público a sua grande força: os fãs sabiam absolutamente todos os grandes hinos de cor.

O próprio show refletia a trajetória eclética do Queen. De um início pesado, com “One Vision”, passamos para brincadeiras com o público após “A Kind of Magic”, a mítica “Bohemian Rhapsody” na melhor versão ao vivo que a música recebeu e a finalização com a dobradinha conhecida por gente de todo o mundo, “We Will Rock You”/”We Are The Champions”.

Talvez o público não tenha sido tão vibrante quanto no Rock In Rio, mas não adianta: para mim, esse foi o maior show de rock da história e o que eu mais me arrependo de não ter vivido na época para ver. Mas não há nada que eu possa fazer, exceto assistir às gravações mais e mais vezes. Que triste, não?

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