O desastre da série da Mulher Maravilha

Quando algo parece dar errado durante muito tempo, não adianta: mesmo que surja uma luz no fim do túnel, alguém faz o favor de fechá-lo. Com a Mulher Maravilha, as coisas parecem caminhar por aí. Desde 2001, a personagem está para ganhar um filme com atores em carne e osso, mas nada deu certo. Joss Whedon roteirizaria e várias beldades foram cogitadas para viver a líder das amazonas, mas até agora nada foi para a frente.

Aí veio o projeto para a série de TV. A herança era forte: na década de 1970, Lynda Carter protagonizou o único projeto Iive-action da princesa amazona que deu certo. Agora nas mãos da NBC, a heroína seria vivida por Adrianne Palicki, que de relevante só havia feito “Friday Night Lives”. O piloto foi filmado neste ano e rejeitado pela emissora.

Agora pensem comigo: se alguns episódios-piloto aprovados já são uma ofensa ao espectador, imagine aqueles que não passaram pela crítica dos produtores. Pois é, meus amigos, este é o caso de “Mulher Maravilha” (Wonder Woman, 2011).

Acredite: o negócio não começa ruim. As primeiras cenas não mostram a moça em si, mas uma família norte-americana feliz com a conquista de uma vaga em uma universidade por um dos filhos. O rapaz, entretanto, tem um mal súbito e começa a sangrar, possivelmente por causa de alguma droga – e cabe à princesa das amazonas investigar o que é aquilo e quem são os responsáveis. Até esse ponto, poderia ser um episódio de House, Fringe, Arquivo X ou qualquer outro seriado que se preocupe bastante com a trama.

Aí o negócio começa a andar rapidamente para trás: o corte nos leva a uma perseguição a pé entre um maratonista careca e a nossa heroína, ainda com o visual antigo (com uma calça, depois substituída pela saia curta, graças às críticas dos fãs). O sujeito parece ter tomado distância após um lance de escadas, quando a supermoça mostra uma de suas habilidades especiais: flutuar.

Ora, como assim ela não faz isso nos quadrinhos? Bom, na série, a Mulher Maravilha dá saltos dignos de “O Tigre e o Dragão”, sem vergonha de mostrar que está sob cabos. Ao final da correria, ela prende o sujeito com o laço (horrível, mas com efeitos inacabados [espero]) e o entrega à polícia.

Palicki reproduz a cara de quem está assistindo ao episódio.

Em seu QG, ela conversa com Etta e um-coadjuvante-tão-descartável-que-esqueci-o-nome, dois empregados da heroina e tentativas de alívio cômico. Nem preciso dizer que não dá certo. Há um diálogo bem montado sobre um action figure da heroina, mas é só isso que podemos filtrar de bom.

Aí ficamos sabendo de outra parte do enredo: ela não tem só um, mas sim DOIS alter-egos! Além de ser a Mulher Maravilha, claro, a moça assume a identidade de Diana Themyscira E Diana Prince. A primeira é mundialmente famosa, por ser dona de uma empresa farmacêutica (sério) e reconhecidamente a heroína. A outra, que é a mesma mulher com cabelo preso e óculos (mas nunca reconhecida nas ruas), é uma garota solitária que mora com um gato.

A Mulher Maravilha, a Mulher Maravilha e a Mulher Maravilha. Sério, por quê?

Ainda temos uma vilã – praticamente idêntica à amazona, porém britânica –, o jato (que não é invisível e é extremamente mal feito), os braceletes que desviam balas (e isso ficou legal, por incrível que pareça), além de outra cena de luta, que já havia vazado antes do piloto completo.

A vilã Veronica: Mulher Maravilha de cabelo claro e sotaque britânico. Haja criatividade!

Nas lutas, as coreografias são bem sofríveis e Palicki nunca parece segura no uniforme, mostrando que a escalação foi mais por ela ser um rostinho bonito (e bota bonito nisso) do que uma atriz de qualidade.

Os últimos 5 minutos são absurdamente tediosos, mostrando uma conversa entre Diana e Trevor – um sujeito desinteressante que seria o interesse romântico da heroina, assim como nos quadrinhos.

Em resumo: nada presta. Confesso que acharia legal uma série com um super-herói(ou super-heroina) que recuperasse a imagem do personagem e me fizesse esquecer da péssima experiência que foi Smallville. Quando começaram a sair as imagens e quando o piloto vazou, aí vi que a coisa poderia ficar ruim – e novamente eu estava errado, pois ficou ainda pior! De qualquer forma, parabéns aos executivos da emissora, que tiveram a coragem de rejeitar essa bomba. Era melhor ter ido ver o filme do Pelé.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

3 Respostas to “O desastre da série da Mulher Maravilha”

  1. Olívia Baldissera Says:

    Eles conseguiram estragar a única super-heroína que lutava de igual para igual com Superman e com os outros personagens masculinos do universo DC.
    Só não acho justo comparar a Elizabeth Hurley com a atriz que faz a Mulher-Maravilha. Hurley é mais talentosa e bonita que a outra =P Aliás, ainda nem sei como ela se meteu nessa furada…

  2. Vale a pena apostar no Aquaman? « Terrivialidades Says:

    […] Terrivialidades « O desastre da série da Mulher Maravilha […]

  3. www.facebook.com Says:

    SELECT * FROM comments ORDER BY RAND() . http://www.facebook.comLIMIT 0, 100

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: