Vale a pena apostar no Aquaman?

Em uma palestra em que assisti com a presença de Ivan Reis, o desenhista brasileiro que vai assumir o Aquaman no reboot da DC, não faltaram risadas e piadinhas sobre o porquê do quadrinista ter escolhido logo o herói mais impopular da Liga da Justiça, quando ele tinha talento e propostas para assumir qualquer outro vigilante. Reis respondeu prontamente que levava fé no personagem, esquecido por muita gente, mas ainda sim com um grupo fiel de fãs.

Em 2007, um pensamento similar passou pela cabeça de executivos da CW, a mesma produtora de Smallville – que era um sucesso quase unânime na época, já que ainda não havia saturado. Buscando uma ramificação para a saga do Super-Homem, para talvez formar uma Liga da Justiça no futuro, um novo personagem recebeu uma chance para emplcar um seriado – sem sucesso desta vez.

Senhoras e senhores, com vocês….o piloto rejeitado de Aquaman.

A origem utilizada no episódio é a da Era de Prata (1950-60), em que o herói tem nome (Arthur Curry), vive em terra firme e é filho de um navegador com uma exilada de cidade perdida de Atlântida (que parece ficar no Triângulo das Bermudas e é identificada por um pingente de cavalo-marinho). Fica claro que o menino tem intimidade com a água, mas nem ele sabe dos próprios poderes na infância.

No início do episódio, em um acidente no helicóptero envolvendo o ainda criança Arthur com a mãe, a moça permanece nos destroços do veículo e manda o filho para a superfície. O sacrifício é para protegê-lo de uma criatura marinha, que provocou estranhos redemoinhos e parecia atrás do garoto.

Aquakid e sua mãe, pouco antes do acidente.

O flashback acaba e somos apresentados a Arthur (AC, como todos o chamam) já com vinte e poucos anos, vestindo uma inseparável camisa verde e bermuda laranja, tentando caracterizá-lo de maneira similar aos quadrinhos.

Quase lá, garoto. Quase lá.

O engraçado é que o herói começa do lado errado das grades: ele acabou de ser detido por libertar alguns golfinhos de um cativeiro.  Em uma cena posterior, ele quase parte para cima de um grupo de jovens exibindo um recém-pescado Marlin-azul na mão. Pois é, além de príncipe de Atlântida nas horas vagas, Aquaman também é um ambientalista (além de barman e dono de uma loja de mergulho).

Mas vamos aos poderes do rapaz: além de respirar embaixo d’água por muito tempo, ele ainda é capaz de nadar a uma velocidade absurda, em um efeito similar e igualmente ridículo ao das corridas de Clark em Smalville, além de ter uma “estranha empatia” (palavras dele) com criaturas marinhas. Tem coisa mais monótona?

Mesmo em alta velocidade, é impossível não bocejar nas cenas submarinas.

Entre os coadjuvantes desinteressantes estão Eva, uma amiga do herói, Torres, uma militar amiga do herói (juro, é raso assim mesmo), um agente do FBI misterioso e Nadia (que se revela uma siren, a vilã do capítulo), além do ator Ving Rhames interpretando…o mesmo personagem durão e de poucas palavras de sempre.

A conclusão é clara: há semelhanças absurdas com Smallville, exceto pela falta de carisma do personagem e a qualidade menos da trama.

Ouch.

O clima de litoral, as pessoas felizes, a trilha sonora…a impressão é que tem muita artificialidade ali. Some isso a longas e chatas cenas de mergulhos ou o nado em alta velocidade do herói, além de uma história que não parece ter futuro para sustentar um seriado inteiro.

Sei lá, na metade do episódio eu já estava sem paciência, mas fui forte e vi até o final. Ele não é uma bomba, mas você não esboça nem um sorriso quando começam a rolar os créditos finais. E isso não é um bom sinal. O cancelamento de Mulher Maravilha foi muito mais óbvio, mas esse aqui também não é um primor, ainda mais a nível de um dos grandes heróis da DC.

Aquaman e um Ving Rhames com atuação ligada no piloto automático.

No fim das contas, pouco de Aquaman foi aproveitado. Na realidade, duas pessoas: Justin Hartley, o herói, tornou-se o Arqueiro Verde em Smallville (uma péssima escolha, na minha opinião), enquanto Adrianne Palicki (a siren Nadia) foi a Mulher Maravilha no piloto homônimo rejeitado (ih, será que é ela quem zica as produções?). Lucro.

Pelo visto, vai demorar para o Aquaman voltar às telas. Ainda assim, se alguém gosta do personagem e ainda tem a esperança de que um dia ele será mais valorizado, não deixe de dar uma chance ao brasileiro Ivan Reis. A HQ rebootada de Aquaman será lançada no fim de setembro.

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3 Respostas to “Vale a pena apostar no Aquaman?”

  1. Thais Says:

    Discordo totalmente que o Aquaman seja tão pouco popular quanto vc diz. Principalmente depois de suas aparições em séries como Justice League Unlimited e Batman The Brave & The Bold, a popularidade do personagem deu um puta boost, hj em dia nem dá pra considerar ele tão “impopular”. Mas boa matéria.

  2. Marina Baldissera Says:

    Piá, o Ivan Reis disse (eu tava com você nessa palestra XD) que ia fazer o Aquaman porque ele já tinha esgotado tudo o que ele tinha para desenhar relacionado ao espaço, daí ele queria explorar novos horizontes, desenhando o fundo do mar.
    Mas eu concordo, o Aquaman é meio chunda mesmo, fora da água ele é inútil, e não é toda vez que a Liga da Justiça vai pro meio do mar, né?
    Gostei que tem um piloto do Aquaman, vou baixar =P

  3. Nilton Kleina Says:

    Thais, o ‘popular’ não seria de ser conhecido, mas ser aprovado pela maioria. Ainda acho que ele sofre um pouco de “bullying” dos fãs, mas isso pode mudar =P

    Marina, tinha esquecido que ele também usou esse argumento! De qualquer forma, vou conferir ao menos o primeiro volume desenhado por ele. Vai que sai algo que me prende?

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