Missão: ser um filme ruim

Se eu pedisse a você que adivinhasse quem é o protagonista do longa que acabei de assistir, aposto que você não acertaria. Acha que com uma dica ficaria mais fácil? Vamos lá: é um herói que combate o crime sem o uso de poderes, supermáquinas ou mutações. Mais uma? É da Marvel. E não é o Justiceiro. Já desistiu? E eu disser que a resposta correta é Nick Fury?

Pois é. O comandante da SHIELD, a mais poderosa agência de espionagem da editora. Além de estar em um escalão bem mais baixo do que os super-heróis de verdade (ele nem é sidekick, nem herói!), Fury é um personagem que só entra em ação em “missões especiais” (leia-se desinteressantes). Ainda assim, por algum motivo bem bizarro, ele ganhou um filme feito para a TV, em 1998. Com vocês, Nick Fury – Agente da SHIELD!

Vale lembrar que, no universo atual, temos um Nick Fury também. Ele é o típico personagem “faz-tudo”, que ganha qualquer briga, tem frases prontas para qualquer situação e inspira respeito imediato. A diferença? A interpretação de Samuel L. Jackson – cujo papel não é de Nick Fury, mas de Samuel L. Jackson (e isso ele faz muito bem).

Desta vez, temos David Hasseloff, um dos atores mais zoados de toda a sua geração. E não adianta dizer que é perseguição: ele deu motivos mais do que suficientes, como o papel de salva-vidas em “Baywatch” e…

…isso.

Como ator, ele simplesmente é David Hasselhoff. Pouca expressão, muita canastrice e todas as falas com um exagero e uma falsidade incomparáveis. Parece que cada linha dita por Fury precisa ser de efeito, para confirmar que o personagem é “o cara”. Um ponto positivo? Ele ficou parecido fisicamente com o coronel original, mas isso está longe do o suficiente para salvar o filme.

Até o tapa-olho do Samuel L. Jackson é mais estiloso.

Na história, ele está aposentado, mas é obrigado a retomar o posto de Coronel quando o cadáver conservado de seu maior inimigo é recuperado pela filha do vilão, que agora lidera a corporação maligna HYDRA. O corpo do Barão Von Strocken contém um vírus mortal que será – adivinhe – lançado em Manhattan caso pacotes de dinheiro não sejam entregues. Para salvar o mundo, Fury conta com um par romântico que saía com ele no passado, um agente que nunca foi em uma missão e uma moça insegura, porém poderosa – absolutamente todos os clichês possíveis de espiões, faltando só o de agente duplo.

Fora os absurdos e incostâncias dignos de qualquer filme de espionagem. A SHIELD, errando tantas vezes, inclusive deixando a vilã algemada escapar diante de seus olhos, parece ser a pior agência de todos os tempos na área. A vilã tem uma bomba com duas contagens regressivas! E se o cadáver do Barão von Strucken era tão importante, por que guardar em um local de tão fácil infiltragem e não na sede flutuante da SHIELD? E, Nick, por que atirar em painéis sempre faz eles funcionarem, em vez de estragarem de vez?

E a vilã….putz, a vilã. Viper (filha do Barão) é ainda mais exagerada que Fury e uma mistura dos piores clichês envolvendo nazistas/cientistas loucos. O ponto positivo que consegui cavar: não é um filme de origem, mostrando o personagem já seguro e estabilizado. Outra coisa boa é o visual da HYDRA: apesar de serem roupas pretas monótonas e descaracterizantes, os capangas vestem trajes muito melhores do que o uniforme dos quadrinhos, um verde carnavalesco.

Antes um terno sem graça do que uma fantasia de carnaval.

Levando por esse lado, o roteirista é um amador e totalmente sem chances na indústria tão competitiva que é Hollywood, certo? Pois o sujeito é David S. Goyer, que escreveria quase dois anos depois um tal de Batman Begins e sua continuação. A produção é de Avi Arad, responsável por quase todas as adaptações da Marvel nos últimos anos. O diretor é Rod Hardy, especializado em dirigir outros filmes para TV e episódios de séries – mas ele parece ter a menor das culpas aqui.

E dá para notar que Goyer estava em uma fase juvenil. O roteiro é bobinho e não prende em nenhum momento, passando uma infinidade de informações inúteis ao mesmo tempo e aproveitando as menos interessantes até o final. Um nível alto de detalhes funcionou em Batman, mas aqui, com Nick Fury, um roteirista em aprendizado e uma péssima produção, não é a melhor hora de experimentar.

Sim, ela tem sotaque falso e forçado. E risadas do tipo “Mwhahaha”.

Eu não segurei o riso nas cenas de luta corpo a corpo. A indisposição de Hasselhoff é tão grande que a coreografia parece ser feita em câmera lenta. Além disso, são pouquíssimos os tiros disparados, quase nem dando pra classificá-lo como “ação”.

Nick Fury é o filme errado com o personagem errado e o pior ator possível para o papel. Mesmo excluindo o longa do universo Marvel, a situação não melhora: apenas como um filme genérico de ação ou espionagem, ainda é muito preferível apostar em algum dos clássicos de gente que sabe o que faz na área. Stallone, Schwarznegger, Van Damme e companhia mandam abraços. Ou socos na cara, tanto faz.

Tags: , , , , , , , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: