Original x Remake #02 – Sexta-Feira 13

Hoje é Domingo 15, dois dias depois do fatídico dia em que o menino Jason Voorhees se afogou durante uma colônia de férias no acampamento Crystal Lake. Décadas depois, ele voltou como um dos psicopatas mais sanguinários – e idolatrados – do cinema.

Foram dez (!) filmes normais, uma aventura no espaço (!!), uma luta contra Freddy Krueger (!!!) e….um remake. Demorou, mas em 2009 o assassino da máscara de hóquei foi repaginado para os dias atuais, apagando o passando nem tão brilhante (a série tem várias bombas, vai) do sujeito. Na primeira disputa, “A Hora do Espanto” original deu uma surra no remake. Será que a história se repete?

Aqui temos um caso diferente, já que vou levar em conta três filmes da série original (a Parte 1, com Pamela Voorhees sendo a assassina; a Parte 2, com Jason usando um saco de pão na cabeça; e a Parte 3, na qual ele finalmente obtém a máscara de hóquei. São sequências quase diretas, que se completam e são capazes de fechar uma trilogia de respeito na história do gênero de terror. Mas será que os 30 anos que separam as duas gerações fizeram tanta diferença assim?

Jason

No protagonista, uma coisa não dá para diferenciar: ambos são malucos homicidas com uma máscara de hóquei – e isso já o suficiente para ao menos ganharem nossa simpatia. Mas os dois são levemente diferentes no modus operandi.

O Jason clássico é aquele que, enquanto você corre desesperadamente, anda sem preocupações e sempre chega aos locais antes de você. Nos primeiros filmes, ele até arrisca alguns piques, mas o “teletransporte mágico” é sempre mais efetivo. E ele tem racionínio lento, sendo chamado até de retarded creature em um dos longas (compreensível, afinal ele é um sujeito com sérios problemas mentais). A maquiagem do rosto deformado não é lá essas coisas, mas o saco na cabeça e a máscara de hóquei têm seus méritos.

Já o novo Jason é um caçador. Ele viveu por décadas na floresta de Crystal Lake e aprendeu a correr, montar armadilhas e aguardar o momento certo para dar o bote nas vítimas. Isso o deixa até mais perigoso que o original, que se aproveitava mais da burrice das vítimas (vamos chegar lá daqui a pouco). O visual é o clássico, um sujeito (bem) alto e forte com roupas surradas e a máscara.

O Jason original, ao menos nos primeiros filmes, era humano e até um pouco realista. Tomava decisões estúpidas, perdia algumas vítimas e sentia dor, apesar da resistência. O novo é mortal e nem dá chances para os pobres adolescentes . Mas essa força não o impede de perder o primeiro ponto de hoje. 1×0 para o original!

O sobrevivente

Nos primeiros filmes da franquia original, temos três protagonistas diferentes, todas mulheres santas, determinadas e sem pensar em sexo ou drogas durante serial killer – ou seja, a fórmula da sobrevivência nesse tipo de filme. Adrienne King, Amy Steel e Dana Kimmell gritam, correm, se escondem e surram Pamela ou Jason até a exaustão, oferecendo resistência e representando  o “bem” com méritos.

No remake, a mocinha da história é…bem….Jared Padalecki, o Sam de Supernatural. Apesar de mais maduro (e encorpado) graças ao seriado, ele parece ter regredido na atuação e esquecido tudo o que aprendeu caçando todo tipo de criatura do mal, fazendo só o básico do irmão superprotetor.

O herói do remake tem um arco original e até possui alguns momentos de heroísmo, mas falta muito feijão para chegar em King (Parte 1) ou Steel (Parte 2), para quem realmente chegamos a torcer durante os filmes. 2×0 para o original!

Os presuntos

Apesar de serem meros coadjuvantes (sendo que alguns não têm nem nome ou presença nos créditos), eles são os responsáveis por criarem o mito de Jason e servir de aquecimento para a “luta final” com o sobrevivente.

Para analisar o original, precisamos entender que as décadas de 1970 e 80 ainda eram um período de desenvolvimento do subgênero slasher, que inclui os serial killers. O foco era em criar um assassino memorável, não vítimas para o público torcer – e isso leva aos personagens bobos, policiais incompetentes e por aí vai – “Sexta-Feira 13”, assim como a série “Halloween”, ajudou a criar esses clichês. Enfim, desse grupo, nenhum se salva, sendo só pretextos para Jason mostrar suas habilidades com machetes e armas pontiagudas.  Mas aí vale a pena citar “A Hora do Pesadelo”, por exemplo, que conseguiu por um tempo criar personagens com alguns neurônios de sobra.

No remake, eu não esperava gênios, intelectuais ou santos, já que é uma característica da série ter alta uma contagem de corpos de gente estúpida. O problema é que o filme de 2009 eleva a burrice a um novo patamar: TODAS as decisões tão mal tomadas, os personagens do sexo oposto só se pegam e os do mesmo sexo só bebem, usam drogas e fazer piadas bestas. Assim fica fácil para o assassino!

Empate. Ambos os filmes apresentam estereótipos banais, rasos e muito, muito, mas muito burros. 3×1!

Mortes e efeitos especiais

O primeiro filme tem um suspense excelente, garantido pelas mortes bem executadas e bastante criativas –já que o negócio mais trash e zoado começou do quarto capítulo para a frente. Isso sem mencionar os efeitos de Tom Savini, o mago por trás de algumas das maiores mortes do gênero e dos zumbis azuis de George Romero, que participou do primeiro longa e influenciou fortemente o segundo. A maquiagem utilizada nos corpos e feridas é de alta qualidade, mostrando todo o poder de Jason sobre suas vítimas.

Ao menos isso o remake tentou preservar. As mortes são bem filmadas e tudo mais, mas alguns exageros são novamente cometidos, como a perícia impecável em arco e flecha do psicopata. E cadê a criatividade? O original usava picador de gelo, enfeite, faca de cozinha e tudo o que encontrava pela frente para matar, enquanto o novo acaba se rendendo mais à boa e velha machete. Os efeitos? Tudo CGI, para variar, isso quando não são mortes off-screen.

Fácil: 4×1 para o original!

“História”

Acredite, ela existe! A nova história tem uma leve novidade, com o personagem de Padalecki investigando o sumiço da irmã e um começo bastante nostálgico, remetendo ao filme original com a mãe de Jason. Além disso, as primeiras matanças são com o pano na cabeça, em nova homenagem. Apesar da boa tentativa de Marcus Nispel (do também remake “O Massacre da Serra-Elétrica”, que deve ser o próximo analisado na seção), isso não é o suficiente para segurar nada. É a fórmula sexo+morte+sexo+morte+drogas+morte, mas não dá para dizer que eles não tentaram.

Já o original tem um arco interessante, fechado e criativo: começa com a lenda de Jason, passa para ele em carne e osso e termina com o auge e queda do serial killer. Aliás, o destaque nem vai para o assassino, mas para Pamela Voorhees, que surpreende e rouba a cena no primeiro longa, esquentando o banco para a carnificina do filho. O terceiro filme é a ovelha negra aqui, pois acaba regredindo bastante e inicia a direção em piloto automático da série.

É inegável: a surpresa de Pamela Voorhees no primeiro, o surgimento do ícone da série no segundo e a máscara de hóquei no terceiro. Que trilogia! É ponto para o original! 5×1, é goleada e o mesmo placar da disputa anterior!

Placar final

Original 5 x 1 Remake. A nostalgia rola solta ao vermos Jason novamente, isso não dá para negar, mas os primeiros três capítulos da franquia do assassino da máscara de hóquei são imbatíveis. Mas sejamos honestos: o filme mais novo até vale como entretenimento – e nada mais que isso. A sensação de rever a mesma fórmula só serve para concluir que Jason não precisava de uma atualização, já que seus filmes ainda se seguram como garantia de qualidade e diversão.

(Para quem é realmente fã da série, o documentário “His Name Was Jason”, lançado para alavancar o  remake, é um prato cheio. Ele analisa ricamente cada filme da série e traz entrevistas até com os mais coadjuvantes dos coadjuvantes.)

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