A maior luta de boxe de todos os tempos

Sou um grande fã de quadrinhos, mas não compro nada desde, sei lá, “Turma da Mônica” na infância. Mas um relançamento me despertou a atenção de novo: um dos crossovers mais insanos da história, que colocou no mesmo ringue o herói mais celebrado da Terra e o boxeador mais famoso da época: “Superman vs. Muhammad Ali”, de 1978 – tanto que fui atrás para finalmente conhecer quem ganhou essa luta. Então pegue sua pipoca, um lugar com boa vista para o ringue e aprecie o combate!

No canto esquerdo, de calções brancos, direto de Louisville, Kentucky, o campeão dos pesos-pesados….Muhammaaaaaaaaad Aaaaaali!

No canto direito, com uniforme vermelho e azul e cueca por cima da calça, direto de Krypton, Kal-El, o Supeeeeeeeeer-Hooooooooooomem!

A trama é extremamente rasa e boba, mas pelo menos bolaram um pretexto para a luta. É assim: uma espécie alienígena aponta várias armas para a Terra, que eles consideram um planeta hostil. Eles só não disparam se o campeão de nosso planeta vencer o maior guerreiro deles, um ET brutamontes genérico. Mas quem pode nos representar? De um lado, o super-herói das massas, adorado pelo povo e naturalizado terrestre; do outro, o pugilista mais famoso e talentoso da época. Dessa discussão, os alienígenas promovem uma partida “preliminar” entre os dois, para que o vencedor enfrente então o titã de outro planeta

Na história, o Super-Homem está sem os poderes, devido a um Sol Vermelho (não pergunte), enquanto Ali, alguns anos antes de encerrar a carreira, ainda era um ás no ringue. Mas o interessante é que a personalidade do lutador também foi mantida: há uma batalha de egos entre os personagens, o orgulhoso super-herói e o provocador pugilista, que tenta ganhar as lutas pelo psicológico antes de subir ao ringue.

Amigos, no final das contas.

No desenrolar, entretanto, eles se tornam amigos – e o super-herói é até treindo na arte do boxe por Ali, para que a surra não seja tão humilhante. Outra maluquice: durante a luta, a narração é de ninguém menos que Jimmy Olsen (mas poderia ser do Galvão, não é mesmo?), com comentários de Lois Lane (pode, Arnaldo?). E o Super-Homem entra acompanhado de seu treinador, o chefe de Clark Kent, Perry White (em uma figuração só para dizer que ele existe).

O desenho é típico da época em que foi lançado, mas com alguns detalhes adicionais e uma fluidez invejável até nos dias de hoje. São belas ilustrações de Neal Adams, que consegue transmitir a emoção das lutas, os movimentos dos pugilistas e a personalidade de Ali, que está incrivelmente realista.

(Clique para ampliar)

Só que não dá para falar do traço sem elogiar a capa, que é o carro-chefe do quadrinho. Além de visualmente épica e chamativa, ela é cheia de detalhes e “easter-eggs”. Para prestigiar a “luta do século”, estão lá personalidades como John F. Kennedy, Frank Sinatra, Christopher Reeve, Woody Allen, Jackson 5 e até o Pelé – fora heróis em suas identidades secretas, como Barry Allen (Flash), Hal Jordan (Lanterna Verde) e Oliver Queen (Arqueiro Verde). O duro é encontrar todo mundo!

Mas o protagonista do quadrinho é mesmo Ali. Os maiores discursos são dele, as piadas, os grandes momentos na luta, tudo gira em torno do astro, que naquele ano estava dando adeus aos seus cinturões de pesos-pesados. Ele se mostra pouco humilde, muito brincalhão e irreverente, mas no fundo uma grande pessoa – como é o boxeador na realidade.

Era melhor ter fugido com a Mulher-Maravilha!

Só uma coisa me irritou bastante: algumas falas são bastante longas, mas a fonte dos balões é grande. Desse modo, os discursos são longamente divididos em vários quadrinhos, separados por “…” em vez de pontos finais – mas eles nem sempre são bem colocados. Isso faz com que a leitura dessas frases, algumas bem divertidas, seja cortada bruscamente por causa dessa separação.

Essas….frases cortadas no….lugar errado ficaram péssimas.

Além disso, a luta entre os dois poderia ser mais longa, quase como os da franquia “Rocky”, por exemplo, que mostra alguns rounds quase na íntegra. No segundo combate esse problema é menor, mas um quadrinho sobre boxe exige cenas mais duradouras.

Ainda assim, Superman x Muhammad Ali é uma grande história de super-heróis da vida real e fictícia, um grande ensinamento sobre o boxe e um clássico das bizarrices do universo dos quadrinhos que inexplicavelmente dão certo. Recomendo!

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Uma resposta to “A maior luta de boxe de todos os tempos”

  1. Olívia Baldissera Says:

    Reparou que o Batman está na capa, de Batman mesmo, e não de Bruce Wayne? :B

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