A super bomba da Supergirl

Quando uma franquia dá certo, não dá para culpar a editora: eles precisam explorar o universo do personagem e continuar com a história. O problema é quando aberrações são criadas nessas expansões, como muita coisa que veio depois dos filmes de Star Wars, por exemplo. Nem o Super-Homem, o herói mais celebrado da Terra, escapou dessa: criaram Krypto, o Supercão, e Kara, a Supergirl.

Não satisfeitos em inserí-los nos quadrinhos (e aproveitando o sucesso da franquia no cinema), resolveram criar um filme sobre a prima . Com elenco fraco, direção ainda pior, uma história de dar risada e muitas, mas muitas bizarrices, “Supergirl” chegou aos cinemas 1984 – e entrou para o mesmo limbo de adaptações ruins como as que já falei aqui no blog.

Prepare seu lenço, porque você vai chorar – de tédio, desgosto ou de rir – com….Supergirl!


(Aliás, desde agora, vamos estabelecer uma diferença: o filme é “Supergirl”, mas preciso tratar a heroina de maneira diferente. Me recuso a chamar de Super-Moça, então vou apelar para o regionalismo, só porque fica bem engraçado: Super-Guria)

Vamos lá: para começar, a Super-Guria em si tem um pequeno defeito: ela é a versão de saias do Super-Homem. Enquanto até o Robin tem suas diferenças (menos bugigangas e mais acrobacias que o Batman), a moça é uma cópia exata do seu primo, com todos os poderes, fraquezas e personalidade. Logo, a ideia é recrutar o público feminino que não se sentiu atraído pelo longa de Christopher Reeve. O problema? O resultado final é tão ruim, mas tão ruim, que parece que subestima o gosto e a inteligência das mulheres fãs de quadrinhos.

Cheirando flor? Eu quero ver é porrada!

A história é um desgosto só: Kara vive em uma colônia que sobreviveu à explosão de seu planeta – ou seja, nada de chamar Kal-El de “o último filho de Krypton”, porque sobrou muita gente! Enfim: a moça estava brincando com a esfera que mantém o abrigo vivo quando um inseto criado por ela (não pergunte) abre um rombo no local,fazendo com que o objeto saia voando pelo espaço e caia, óbvio, na Terra. JURO. É ISSO.

Para consertar a besteira, ela pega uma nave e parte para o resgate da esfera, que caiu praticamente no colo de Selena, uma bruxa que mora em um parque de diversões e cujas malvadezes incluem fazer uma poção do amor. Ainda tem um lance romântico extremamente sonolento com o mesmo interesse da vilã, mas vocês querem mesmo que eu me aprofunde nisso?

Aí ele vai beber isso e se apaixonar por mim! E, sim, só depois vou conquistar o mundo!

O disfarce da Super-Guria é coisa de gênio: em vez de buscar a esfera de uma vez, ela se infiltra em uma universidade, arranja colegas de quarto (a irmã de Lois Lane, olha que coincidência!) e faz coisas normais, como jogar softball, enfrentar bullies e participar de aulas – afinal, sua colônia nem está sendo quase extinta lá no espaço, né, minha filha?

E uma grande ausência é sentida aqui: o próprio Kal-El, que só é citado em falas e aparece num pôster durante o filme. Ora, “Supergirl” ocorre antes do quarto filme da franquia, portanto Reeve poderia fazer uma ponta numa boa. Será que ele viu a bomba que era e resolveu pular fora? Esperto, muito esperto.

Aliás, uma coisa que eu nunca entendi: como funciona o uniforme? Ele já veio de Krypton? Do nada, a Super-Guria aparece de roupa trocada (o mesmo do primo, mas com uma saia), mesmo sem ter visto o Super-Homem em ação. É assim: ela cai em um lago, mas quando pula para terra firme, já está de roupa nova (ela faz isso de novo, na hora do disfarce) e até com o cabelo seco. Super poder feminino! Será que ela faz as unhas com essa rapidez também?

No disfarce de Kara, a cor do cabelo é diferente. Colocar óculos é para os fracos!

Os voos são bem chatos, mas os efeitos especiais não estão menos datados do que um “Superman III”. O problema são os cabos, que estão bem mais evidentes (literalmente, dá até para ver um ou outro).  O ritmo cai absurdamente no meio do filme, deixando tudo muito insuportável. Mas ele até que concentra bastante ação: Kara derrota dois criminosos que a abordam na estrada, salva o par romântico e a amiga de uma escavadeira descontrolada (juro!), vence raios mandados pela vilã por um poste sobrecarregado, escapa da Zona Fantasma e finalmente derrota Selena em uma batalha final extremamente desinteressante e beeeeeeem mais longa (e maluca) do que deveria ser.

A parte técnica dá para mencionar em um só parágrafo: a direção é de Jeannot Szwarc, cujo nome é tão incompreensível quanto a existência desse filme. Ah, ele dirigiu “Tubarão 2” e vários episódios de séries recentes (e de sucesso), como “Grey’s Anatomy”, “Fringe” e até “Smallville”. Kara é interpretada por Helen Slater, que tem um currículo nada invejável: várias pontas em seriados e filmes lançados direto em VHS ou DVD. Faye Dunaway, com carreira extensa e papéis grandes (a Bonnie de “Bonnie e Clyde”), dá vida à exagerada Selena. Os únicos coajuvantes que valem ser citado são Mia Farrow (a Rosemary, que faz a mãe de Kara por uns cinco minutos) e Peter O’Toole, o Lawrence das Arábias, que devia estar em uma pindaíba desgraçada para aceitar o papel de mentor da Super-Guria.

500 dólares e posso ficar com meu figurino? Fechado!

No caso de O’Toole, claro que rola um flashback com ele no final só para dar a força que faltava à heroina quando a coisa aperta. Ah, se fosse assim na hora de fazer aquelas provas de matemática…

Existe ainda uma “versão do diretor” de 2h15, meia hora a mais do que a original. Óbvio que preferi o filme normal, que já foi uma sessão bastante torturante. Para finalizar, a trilha é uma versão genérica e de (falta de) qualidade incomparável com o tema de John Willians.

Kara, a ovelha negra da família –El

Em resumo, “Supergirl” é um filme raso, totalmente esquecível, de ritmo desequilibrado e com um roteiro mais ingênuo e cheio de insconstâncias do que os quadrinhos da Era de Ouro. Passe por ele voando mais rápido do que o Homem de Aço!

Tags: , , , , , , ,

2 Respostas to “A super bomba da Supergirl”

  1. Olívia Baldissera de Souza Says:

    No mercado Solimar lá de Guaratuba tem o DVD para vender por 9,90 :B

  2. IgorFreire Says:

    kkk, prefiro o desenho mesmo… acho que agua dakele lago ta contaminado….

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: