A música sobre o dia em que a música morreu

“O dia em que a música morreu”. O título é forte. Hoje em dia, parece que essa arte nunca foi tão diversificada, os shows nunca estiveram tão lotados (e caros) e, veja só, até o rock ganhou um gás depois de suspeitas de seu falecimento. Mas há quem acredite que há muito tempo, mais precisamente em 3 de fevereiro de 1959, houve o ponto final dos acordes felizes, das danceterias e dos sorrisos em geral.

O que causou tudo isso foi um acidente de avião, causado por falha humana e más condições climáticas, vitimando três ilustres passageiros: Buddy Holly (ícone do rock nos anos 1950), Richie Valens (do hit “La Bamba”) e Perry “The Big Bopper” Richardson (radialista, compositor e guitarrista de boa fama lá fora).

Claro que a afirmação é mais restrita ao público norte-americano que viveu na década em que tudo aconteceu, mas o dia ficou marcado na cultura roqueira e, ironicamente, proporcionou a criação de materiais de alta qualidade. Falo de “American Pie” – não, nada a ver com o filme, mas uma das músicas folk mais enigmáticas e gostosas de se ouvir .

Depois de uma música com essa, McLean nem precisava trabalhar mais. E ele falou exatamente isso uma vez.

O autor é Don McLean, que não emplacou muitos sucessos mundiais antes ou depois do hit de 1971, mas gravou seu nome na música com essa homenagem ao acidente. Mesmo com mais de oito minutos de duração e nada mais do que voz e violão (porém super fácil de decorar, como um ‘Faroeste Caboclo’ deles), a canção empolga, emociona e traz uma análise crítica da trajetória do rock após “o dia em que a música morreu”.

Na letra, vemos vários acontecimentos e artistas relatados por eufemismos, como The Beatles (“the sargents”, em referência a Sgt. Pepper’s), Elvis Presley (“the king”), The Byrds, The Rolling Stones, o incidente com os Hell’s Angels durante ‘Sympathy for the Devil’, Woodstock e dezenas de outras referências. Ao que tudo indica, ele critica algumas bandas da década de 1960-70 por não serem dançantes o suficiente, sentindo falta de músicos como Holly ou do R&B da música negra – tudo citado indiretamente, claro.

Bopper, Valens e os inconfundíveis óculos de Buddy Holly.

Vale ainda destacar a segunda melhor atitude de Don McLean (depois de compor a obra, claro): apesar da insistência, ele sempre se recusou a explicar o significado de cada verso, deixando para livre interpretação cada trecho e afirmando que tudo é apenas “poesia”. Nem o acidente é citado diretamente, apesar de ele mesmo ter confirmado alguns traços autobiográficos e a referência ao falecimento de sua tão querida música.

Mas, acredite, há quem tente: a internet está povoada de análises imensas que tentam dissecar a letra (começando pelo título, que não é o nome do avião que caiu, como muitos afirmam) e encontrar explicações e mensagens subliminares, algumas tão sem sentido quanto dizer que, algum dia, a música há de morrer.

Bônus: Em 2.000, Madonna surpreendeu e lançou um cover de menor duração de “American Pie” como single. Recebeu elogios do autor.
 

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3 Respostas to “A música sobre o dia em que a música morreu”

  1. Rômulo Says:

    Massa pra caralho!

  2. Olívia Baldissera Says:

    Nossa, mas quem que cunhou o dia da morte dos três como o dia em que a música morreria? Foi um jornal da época? o.o

  3. Nilton Kleina Says:

    Ficou faltando isso mesmo. Quem deu o nome foi o próprio Don McLean, que sentiu bastante a morte dos três na época, mas só oficializou o termo na canção, anos depois.

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