Sintonizando no puro blues rock

Aquele toque da música sulista do blues, que acumula até séculos de história. Riffs pesados vindos de guitarras que abusam de distorções mais modernas. Harmonias que parecem saídas dos anos 1950 ou 1960. Solos psicodélicos que transportam você para a década de 1970.

O blues rock é uma das ramificações mais interessantes da música, já que une passado e presente do mesmo gênero e é reproduzido por alguns dos maiores instrumentistas que já passaram por essas terras. Eric Clapton, Bob Dylan, The Yardbirds, The Grateful Dead…até os Stones e Led Zeppelin flertaram com o estilo em vários pontos da carreira.

Mas uma banda desconhecida – e conhecida por mim por acaso, durante uma busca ingênua pelo Google sob os termos “unknown rock bands” para encontrar novos ares para se ouvir – também merece figurar nessa lista. É o Radio Moscow, um grupo formado em 2003 nos Estados Unidos que faz um som que parece único e, ao mesmo tempo, que pertence a todas as épocas do rock ‘n roll.

Criada pelo multinstrumentista Parker Griggs (que, além de cantar, toca guitarra, bateria e percussão em geral), a Radio Moscow tem apenas três álbuns (o primeiro lançado depois de alguns anos de existência), shows bem longe de estádios lotados e membros que vêm e voltam, exceto por seu fundador.

O nome é emprestado de “Go Go Radio Moscow”, um programa de rádio e humor de um tal Nikita The K que rolava nos anos 1960. Mas esse termo é também da célebre rádio de transmissão internacional que funcionava para propagar a União Soviética – e, ufa, as conexões políticas da banda acabam por aí. O negócio é pura música.

Todas as músicas tem cara de “jam”, aquelas sessões de guitarra que parecem (e várias vezes são) improvisadas, em uma competição amistosa e interminável entre os músicos para ver quem domina mais o instrumento musical. E  uma boa notícia: apesar das fortes doses de rock psicodélico, há moderação na duração das músicas.

Outro destaque é que as letras não estão presentes em todas as músicas – e são bem simples, com razão, para não estragarem o prato principal que é a instrumentação impecável. “City Lights”, a minha favorita dos caras, é exatamente assim.

Há um quarto álbum previsto para 2012, só de músicas que estavam arquivadas faz anos, todas gravadas por Griggs, que só parece precisar de outros músicos para turnê.

Ainda assim, a Radio Moscow não tem nenhuma perspectiva de crescimento ou shows fora dos EUA e Canadá (se bem que rolou uma turnê europeia há algum tempo), nem parece pronta para lançar um hit e estourar nas paradas, ficando restrita a quem encontra acidentalmente o som da banda pelos confins da internet. Mas será que isso realmente importa?

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O post é sobre uma banda, mas só tem um vídeo.
Corra para o YouTube, digite Radio Moscow (eu até faço isso para você, ó)
e vá ouvindo uma música atrás da outra. E seja feliz.

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