Pois é, eu assisti: “Sharknado” (2013)

Nas últimas semanas, acredite se quiser, um único trailer foi mais compartilhado no Facebook que vídeos de gatinhos. Mistura de “Twister”, “Tubarão” e alguma droga bem pesada, SHARKNADO (que é “shark” + ”tornado”, e eu juro que não saquei de primeira) prometia ser o melhor pior filme de 2013.

Apesar de ser um longa-metragem de terror e ficção científica de baixo custo e qualidade ainda menor, a história aqui importa: uma tempestade atinge Los Angeles e arrasta milhares de tubarões coincidentemente em processo de migração e com sede de sangue para terra firme. E eles não surgem apenas no mar: alguns são arrastados por ventos fortes, formando um TORNADO DE TUBARÕES que dá nome ao filme. E Spielberg achando que um bicho só já fazia algum estrago…

As realizadoras são conhecidas no mercado da trasheira: o canal SyFy faz bizarrices de baixo orçamento, como “Boa vs. Python” e a The Asylum merece um artigo separado, já que costuma fazer versões “alternativas” de blockbusters para confundir o consumidor na hora de escolher o filme na locadora (pera, ainda fazem isso?), como “Atlantic Rim” (de “Pacifim Rim”), “Alien Origin” (“Prometheus”) e Transmorphers (preciso colocar a referência?).

Ou seja: tinha tudo para dar errado, mas dessa vez os caras pareciam acertar ao apelar para algo épico. Pareciam.

SS-2013-07-28_09.49.49

O filme começa com tudo: um grupo de caçadores de tubarão em alto-mar, liderados por um vilão clichê latino, é atacado por uma onda de tubarões e, enfim, pelo SHARKNADO. Mas aproveite essa parte, porque a próxima meia hora é extremamente entediante – a não ser que você goste de um desenvolvimento porco de personagens, longas cenas dentro de um carro e ataques de tubarão na água (o que seria algo óbvio, mas não quando o título é SHARKNADO). Se esse for o caso, aí o filme é a sua praia.

Corta para um litoral cheio de jovens adultos lindos, surfistas e maus atores. Conhecemos o atleta e dono de bar “Fin” (barbatana, em inglês), o protagonista sem sal vivido por Ian Ziering, que viu a carreira atolar depois de “Barrados no Baile” – ou seja, faz tempo. A outra é Nova (Cassie Scerbo), que quase anda de biquíni o filme inteiro, sem contar a ex-atual-ou algo assim-esposa do sujeito, April (Tara Reid, aquela, expressiva como uma porta), que está em outra parte da cidade.

O primeiro ataque de tubarões do filme é na praia e feito por uma legião deles – os salva-vidas, que são os mais incompetentes da história da profissão, não são capazes de enxergar as dezenas de animais chegando, e muita gente fica parada na água só para virar o almoço do dia. Vendo o perigo, Fin parte em uma jornada perigosa com Nova, que parecia ser um affair, mas não é. Eles precisam resgatar April, Claudia (a filha do casal) e, de quebra, ainda encontram o filho adolescente de Fin, Matt, que é piloto e decide que o melhor jeito de acabar com a ameaça é sair de helicóptero jogando bombas nos bichos. Ele também desenvolve uma paixão relâmpago por Nova, mesmo com eles trocando duas ou três frases no total.

Aceitou fazer o filme, cara? Agora aguenta e não faz cara feia.

Aceitou fazer o filme, cara? Agora aguenta e não faz cara feia.

Dando uma acelerada, em seguida, há a destruição do píer, também com tubarões jogados pelas ondas, tubarões nadando pelas ruas devastadas por uma enchente e atacando a casa da família de Fin. Continue acompanhando: com mais de meia hora de filme, nada do SHARKNADO propriamente dito.

Para encher linguiça, Fin ainda resgata crianças de um ônibus escolar preso na tempestade. E, nessa altura do campeonato, você já deve saber que o sangue, as ondas, o tornado e os tubarões parecem saídos de um jogo mal feito para PlayStation. O primeiro PlayStation.

Com 50 minutos de filme, aleluia! Aparece o SHARKNADO – mas ele só ataca realmente uns 20 minutos depois. É nesse final, disparado a melhor parte do filme, que acontecem cenas que marcam o trailer: Fin abate tubarões com um único tiro de pistola, pega uma motosserra no ar que liga inexplicavelmente e, claro, sai de dentro de um tubarão ao serrá-lo de dentro para fora após ser engolido (e não sofrer nada).

É nessa cena que ficamos sabendo que Nova, que havia sido devorada em pleno ar quando caiu de um helicóptero, estava exatamente nesse mesmo tubarão – e é resgatada após o massacre provocado por Fin. Sem nenhum arranhão, ela abre os olhos e diz que odeia tubarões. E rolam os créditos.

Óbvio que o mocinho ganha, né?

Óbvio que o mocinho ganha, né?

O único nome mais ou menos conhecido do elenco é Tara Reid, que foi a moça Vicky em “American Pie”, fez “Scrubs” e mais alguns trabalhos. Tudo bem que ela não é atriz de primeiro escalão, mas nada justifica aceitar um papel em um filme desses – o cachê de uma produção como SHARKNADO não deve ser o bastante para salvar alguém da falência, caso seja esse o caso.

No fim das contas, a audiência da estreia do filme na TV foi baixa até para os filmes da SyFy. Ainda assim, o filme bombou nas redes sociais, foi um sucesso no YouTube e já tem sequência confirmada para 2014 – SHARKNADO 2, sendo que o subtítulo será escolhido em um concurso com os fãs.

SS-2013-07-28_22.01.53

Por mais óbvio que pareça, SHARKNADO não é um filme ruim que é bom. Ele é um filme ruim que é ruim. Por acaso, há uma ideia sensacional no meio, mas ela muito mal executada, só comprovando porque a Asylum e o SyFy têm a pior reputação possível. Passe longe – e fique apenas com a boa memória de um dos trailers mais incríveis da história do cinema.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Uma resposta to “Pois é, eu assisti: “Sharknado” (2013)”

  1. “A Toca”: a primeira aposta da Netflix no Brasil é uma piada | Terrivialidades Says:

    […] « Pois é, eu assisti: “Sharknado” (2013) […]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: