7 curta-metragens de terror que você precisa assistir

Mesmo que o terror seja um dos meus gêneros favoritos para filmes, não consigo emplacar uma sequência de produções nesse estilo toda semana – tem vezes que você simplesmente quer assistir a alguma coisa mais curta e veloz, sem elementos bastante característicos de longa-metragens, como a construção de clima em uma cena ou o desenvolvimento do principal grupo de personagens.

É para sanar essa vontade que existem os curta-metragens, que são produções de menos de quarenta minutos (segundo a Academy of Motion Picture Arts and Sciences, do Oscar), incluindo os créditos. Achou muito? Não se preocupe: alguns curtas não chegam nem aos dois dígitos de duração em minutos, sendo um ótimo passatempo para momentos de tédio.

Procurar esses curtas pela rede tem sido um dos meus mais recentes passatempos envolvendo terror. Essa não é uma tarefa fácil, especialmente pela dificuldade em filtrar o conteúdo: enquanto você encontra inúmeras fontes de críticas de filmes e consegue até adivinhar se uma produção é meia-boca ou não, com os curtas é quase sempre um tiro no escuro – e isso rende excelentes supresas, mas também a sensação constante de tempo perdido.

Para ajudar quem se interessa por essa forma de arte, segue abaixo um pequeno e breve compilado com alguns dos melhores curta-metragens que conferi recentemente envolvendo mortes, perseguições, criaturas de todos os tipos e aquela sensação de tensão e medo que os fãs detestam – mas que, no fundo, adoram sentir.

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“Lights Out” (2 min)

Quantos minutos são necessários para que você sinta medo? Você tem a minha palavra de que “Lights Out” consegue isso com menos de metade de sua curtíssima duração. Para que um vídeo provoque sensações tão intensas em tão pouco tempo, ele tem que ser bom – e esse aqui consegue, com uma combinação que nem sempre é tão bem usada de trilha sonora, iluminação e efeitos visuais.

Logo no começo, você já sabe como tudo vai acontecer e até terminar. Ele é um pouco óbvio e previsível, mas a execução é tão boa que você acaba nem ligando para o fato de saber o que vai acontecer. Ah, e prepare-se para deixar as luzes acesas por um bom tempo.

“run” (7 min)

Uma das melhores características dos curtas é que o elenco é formado por atores amadores ou que nem seguem a profissão. Claro que volta e meia é bom conferir nossos artistas favoritos em um novo trabalho, mas caras desconhecidas fazem com que a sensação de que aquilo pode ser real aumenta bastante.

O elemento mais incrível de “Run”, dirigido por Matt Johns, é a capacidade de contar duas histórias em uma só obra. A partir do áudio, ficamos sabendo do conteúdo de uma carta do protagonista, um mochileiro solitário chamado Sam, que escreve à mãe para desabafar e relatar o que acontece na atual viagem. Já pelo vídeo, conhecemos o rosto do personagem e acompanhamos o dia a dia dele ao lado de novas e simpáticas companhias. Só conferindo para saber onde diabos o terror encaixa-se nessa premissa. Para absorver todo o conteúdo, é ideal assistir ao curta ao menos duas vezes, dedicando-se a cada narrativa separadamente para entender a experiência completa.

“The Elaborate End of Robert Ebb” (12 min)

Um dos temas mais divertidos da ficção científica são os monstros que saem de pântanos ou oceanos, vêm do espaço ou do subterrâneo ou são criados após algum acidente terrível. Eles ficaram populares após a Segunda Guerra Mundial: o medo da bomba atômica e das deformações causadas ao meio-ambiente e às pessoas deram asas à imaginação de cineastas, que criaram insetos gigantes, humanoides mutantes e muitas outras bizarrices que transpareceram esse temor do fim do mundo.

Em “The Elaborate End of Robert Ebb”, nada de mocinho: a criatura é a estrela, mas de um jeito que você nunca viu antes. O que aconteceria – realmente – se um bicho de cinema aparecesse em uma cidade pequena, mesmo que por um incrível e absurdo mal entendido? A fotografia com excelente coloração e um visual bastante anos 1950 deixam a história perfeitamente ambientada, não devendo em nada para muita produção hollywoodiana.

“Within the Woods” (30 min)

O maior vídeo da lista é um caso curioso. Ele foi produzido em 1978 por um jovem cineasta fã de filmes de terror que resolveu dirigir alguns curta-metragens para enviar a estúdios e, quem sabe, conseguir a arrecadação para um longa. O nome do sujeito é Sam Raimi, que viria a dirigir “Evil Dead – A Morte do Demônio” e suas duas continuações, além da primeira trilogia do Homem-Aranha e outras produções.

A produção é barata, a qualidade do vídeo é péssima e tudo tem cara de trabalho de faculdade, mas quem adora o clássico de Raimi não pode deixar de ver. Trata-se de um embrião do primeiro “Evil Dead”, com situações quase idênticas, bons sustos e a presença do mítico Bruce Campbell (o herói canastrão Ash dos três longa-metragens).

“Don’t Move” (14 min)

Filmes de terror atuais têm, entre vários problemas, uma dificuldade em construir personagens e cenários. A ideia é fazer com que você se importe, torça e lamente pelo destino de cada vítima, mas muitas vezes isso é falho porque tudo acontecer rápido demais – ou devagar, e o que resta ao espectador apressado é pegar raiva e esperar que aquela galera morra logo.

Nos curta-metragens, a boa notícia é que isso nem precisa acontecer: em “Don’t Move”, você já mergulha de cabeça no problema – um demônio que parece saído dos universos cinematográficos de Guillermo del Toro está na sala e quer atacar todos os sujeitos que lá estão. A conclusão não é das melhores, mas é compensada pela tensão, uma mescla de momentos de silêncio interrompidos abruptamente.

“Mama” (2 min)

Esse curta-metragem argentino foi a base para um filme de 2013 estrelando Jessica Chastain e Nikolaj “Jaime Lannister” Coster-Waldau. Mas o material original tem tudo o que o longa deixou de lado: há um clima constante de tensão e efeitos visuais equilibrados e bem feitos (apesar de incrivelmente simples, sem uso descarado de computação gráfica). Fica ainda aquela sensação de que talvez seja melhor dormir com a luz acesa hoje. Excelente exemplo da expressão “menos é mais”.

“Cargo” (7 min)

Zumbis já cansaram. Eu sei. Nem eu aguento mais ver qualquer porcaria sobre mortos-vivos, pois a falta de originalidade enche a paciência até dos mais fanáticos depois de um tempo. Mas isso também tem um efeito positivo: as produções originais, criativas e de qualidade, quando surpreendem, deixam uma impressão ainda melhor.

É o caso de “Cargo’, que mostra a necessidade de salvar uma vida inocente em meio a um mundo totalmente sem esperanças. É o único caso em que achei o clipe curto demais – se bem que pedir por mais é um bom sinal, claro.

Menção honrosa: “La Dama Y La Muerte” (8 min)

O curta-metragem acima envolve um paciente terminal, um fantasma, o ceifador em pessoa e disputas entre a vida e a morte, mas não é exatamente de terror. Só que “La Dama Y La Muerte” (ou “The Lady and the Reaper”) é tão incrível e divertido que precisa estar presente em qualquer lista sobre esse tipo de produção.

Coproduzido pelo ator Antonio Banderas e única animação da lista, ele foi indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem Animado em 2009, mas não recebeu o prêmio. O povo da Academia não sabe mesmo o que faz.

Não sei o porquê da preferência pelo Vimeo na maioria dos curtas – pois é, alguns deles nem estão no YouTube. O carregamento é um pouco lento, mas o player é bonito, então paciência.

Vários dos exemplos foram tirados do site Short of the Week, que… posta um curta por semana. Tem de tudo.

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