O Twitter dos presidenciáveis – Edição 2014

Nas últimas eleições para presidente da República (quatro anos atrás, seus velhos!), resolvi fazer uma análise bem rasa e objetiva sobre os perfis no Twitter dos candidatos (Parte 1 e Parte 2). Não tá lá essas coisas, as imagens ficaram feias e muita gente ainda estava sem conta por lá. Agora, em tempo de Dilma Bolada, Aécio de Papelão e Marina Ecologia, e com todos os políticos tentando convencer o eleitorado jovem de que eles também estão conectados (quase sempre fazendo papel de ridículo por isso), será que a história mudou?

Claro que ninguém vai decidir em quem votar só pelas postagens no Twitter ou ao ver que o perfil é bem bolado, mas não dá para dizer que isso não faz diferença. O horário eleitoral anda cada vez mais massante, os candidatos se parecem muito uns com os outros e os debates são pouco frequentes — ou, quando acontecem, são em horário comercial ou em canais católicos que pouca gente conhece, ainda mais sem a divulgação necessária.

Os critérios são as imagens que compõem o perfil, do fundo ao avatar, além da frequência e do conteúdo das postagens, claro. Os perfis estão na ordem em que cada um aparece na última pesquisa de intenção de voto realizada e já peço desculpas desde já, mas não resisti e coloquei algumas piadinhas no meio. Entre as conclusões, já aviso: eles estão muito parecidos em forma e conteúdo, tirando poucas exceções, o que significa que a até as redes sociais foram atingidas pela institucionalização das mesmas estratégias.

E, apesar de agora ser um pesquisador em formação na área da política, resolvi não utilizar critérios acadêmicos ou autores aqui: faço essa análise como eleitor interessado e, acima de tudo, um grande admirador dessa rede social. Também já escolhi o meu candidato, mas a postagem não tem nada a ver com isso.

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Líder absoluta em número de seguidores, o caso de Dilma Rouseff é curioso. A presidente/a e candidata ao Twitter juntou-se ao Twitter cedo, no início da campanha de 2010, e prometia interação. Foi eleita e ficou três anos fora da rede social. Interagiu com o perfil falso e satírico Dilma Bolada e… sumiu novamente. Voltou na época da Copa, com postagens contendo discursos completos realizado na televisão e mensagens longas, feitas em partes, visivelmente fora dos padrões de 140 caracteres. Agora, voltou com tudo: postagens sobre comícios, os vídeos dos programas eleitorais, propostas bem resumidas e links para o site oficial. A parte visual é bem feita: a foto mudou para uma Dilma “visionária”, o fundo é limpo e objetivo e as imagens são bem escolhidas.

Por que seguir: É bom o líder de uma nação contar com um Twitter ativo, nem que seja mais institucional.

Para deixar de seguir: Será que ela não vai sumir de novo? O fake é mais popular (apesar do menor número de seguidores) e mais ativo que a presidenciável. E provavelmente fala aquilo que a candidata quer, mas não pode.

Para dar RT:

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A candidata que está em segundo lugar nas pesquisas e tem grande chance de ir ao segundo turno tem um perfil visualmente atrativo: foto séria da candidata como avatar, imagem de topo e fundo mostrando a campanha e a já célebre frase de Eduardo Campos. As twittadas de Marina Silva são críticas ao governo e a outros candidatos, resumo dos discursos de Marina em comícios e várias afirmações ou promessas. Mas, às vezes, vão longe demais: postagens de cunho poético, metáforas e divagações viram piada na rede social — vi alguém na rede social falando que parece Engenheiros do Hawaii e é bem por aí mesmo. Curioso ainda notar como Marina coloca “Sou professora de História” antes de “candidata à Presidência” na biografia.

Por que seguir: Críticas pontuais e inspiradas.

Para deixar de seguir: As mensagens poéticas de qualidade questionável, sem conteúdo e que não levam a lugar algum.

Para dar RT:

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Candidato do clássico partido de oposição do PT, Aécio Neves tem um perfil bastante ativo e que aposta em fotos. Várias vezes por dia, há imagens de campanha, infográficos, recortes de jornal, ilustrações com frases de efeito e algumas mais casuais, como da família do político. Retweetadas de aliados, como outros governadores e até celebridades, são frequentes. Possui poucas postagens, apesar de ter um dos perfis mais antigos. Não há críticas ao visual: as fotos são bem escolhidas e o slogan “bem-vindo” está lá. Não interage com eleitores, mas teve duas curiosas e rápidas discussões com Marina Silva. De resto, tudo bastante institucional e seguro — e até sem sal, dependendo do ponto de vista.

Por que seguir: Fotos em alta quantidade para admiradores e jornalistas não botarem defeito.

Para deixar de seguir: Minas, Minas, Minas. E nada de propostas.

Para dar RT:

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Único candidato que tem um cargo no nome, Pastor Everaldo passa o dia fazendo citações da Bíblia, usando hashtags e dando RTs. Ele reproduz manchetes de jornais, comentários de apoiadores (deputados como Marco Feliciano, “celebridades do Twitter” como o Pastor Malafaia e eleitores), além de postagens de perfil-irmãos, como o do blog de campanha. Há ainda várias fotos e vídeos do candidato em comícios e visitas, especialmente transportadas do Instagram — mas nada comparado a Aécio. Faz avisos sobre entrevistas e participações em igrejas, programas de TV ou sabatinas online. O número de seguidores é pequeno e as interações, sejam elas curtidas ou Rts, nunca chegam aos três dígitos.

Ah, eu já falei que ele gosta muito de postar hashtags e citações da Bíblia? E fica a dica: um pouco de Photoshop a menos nas fotos seria bom.

Por que seguir: É praticamente um resumo da bancada evangélica em um só perfil.

Para deixar de seguir: Falta de postagens próprias. E Bíblia online existe em vários outros lugares.

Para dar RT (só porque ele pediu):

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Infelizmente, Luciana Genro não usa o Twitter da mesma forma que usa o horário eleitoral ou o espaço nos debates. As falas de Luciana são sempre transcrições de discursos, nunca originais para a rede social, e a seriedade da candidata é transposta para o perfil. Não é crime usar uma equipe para atualizar o status, mas todas as mensagens parecem trabalho de assessoria — exceto uma ou outra em que interage com seguidores ou posta conteúdos mais pessoais. Por que não apostar mais nesse estilo? Ah, e dê uma pesquisada rápida: ela adora selfies. A parte visual dá destaque ao número da candidata, uma boa estratégia.

Por que seguir: Reproduz as falas ácidas e pontuais de debates e entrevistas.

Para deixar de seguir: É estruturalmente igual a todos os outros.

Para dar RT:

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Escolhido pela internet como “Plínio de 2014”, Eduardo Jorge mantém o estilo irreverente no perfil do Twitter. A conta é bastante eclética: contém propostas, discursos, mensagens no estilo PV de “paz e amor” (o que pode afastar muita gente e só gerar mais brincadeiras), Rts com elogios de eleitores e fotos de campanha, fora chamadas para o programa do YouTube que realiza pós-programa eleitoral. A parte visual é simples e objetiva, mas a imagem de fundo poderia ser melhor trabalhada. O perfil, assim como Everaldo e Rui Costa Pimenta, conta com o número junto do nome. Boa estratégia. Tem mais seguidores que os candidatos a seguir, mas o número é bem menor do que os demais e as interações são mais respostas de seguidores (e essas são muuuitas) do que curtidas ou retweetadas. Além disso, os próprios vídeos do canal do YouTube estão longe de serem um sucesso de audiência. Ou seja, por mais que a ideia seja boa, não adianta muito se pouca gente ficar sabendo.

Por que seguir: Postagens sérias de campanha, mas várias respostas divertidas aos seguidores.

Para deixar de seguir: O buzz gerado não é tão revertido em RTs, apesar do altíssimo número de menções.

Para dar RT:

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Bastante interessado por números e economia, Levy Fidélix twitta valores e comparações para criticar o governo atual. Há várias chamadas para entrevistas e aparições em programas de TV, sem contar fotos durante comícios e idas às ruas — é bem curioso ver o sujeito em roupas mais casuais e sorrindo ao lado de eleitores. Na estrutura, ele poderia usar fotos diferentes no topo e no perfil: repare como se trata da mesma imagem com fundos diferentes. No fundo, inclusive, o slogan de “endireitar” o Brasil também não é de autoria dele e há um detalhe logo abaixo que ficou encoberto: o nome do vice. Eu ficaria chateado.

Por que seguir: Quase sem menções ao aerotrem.

Para deixar de seguir: Quase sem menções ao aerotrem.

Para dar RT:

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Ey, Ey, Eymael, o democrata cristão, deixou o slogan de lado em 2014 e perdeu muita simpatia de muita gente. De longe o mais patriota dos candidatos (o que não é necessariamente algo bom), o presidente do PSDC defende o país, a bandeira e as leis com todas as forças no perfil, colocando até o livro em sua imagem de topo. Faz duras críticas ao governo, mas não deixa de lembrar aos seguidores sobre as próprias contribuições na Constituinte. As mensagens tem um caráter bastante autoral e, se é uma assessoria quem cuida da conta, há um ótimo trabalho em reproduzir o estilo e os pensamentos do candidato. Mas há um pequeno problema na sequência de tweets: ele usa a mesma foto para ilustrar várias postagens, algo repetitivo e levemente irritante.

Por que seguir: Ele dá bom dia e bom final de semana.

Para deixar de seguir: É só assistir a um debate com ele para saber todo o conteúdo do perfil.

Para dar RT:

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Primeiro dos três candidatos de extrema esquerda, Mauro Iasi tem um perfil que usa menos da cor vermelha do que os demais, o que pode ser algo positivo para não afastar quem possui um preconceito natural contra a ideologia comunista. A frequência de postagens é baixa se comparado aos outros candidatos e, quando ocorrem atualizações, a conta não é necessariamente bem aproveitada: há links para imagens, em vez da postagem de fotos em si, trechos do já curto programa eleitoral (por que não produzir algo maior para a internet?) e algumas novidades (acredito que não todas) da agenda do candidato. Charges, reflexões sobre o socialismo e Rts de apoiadores são conteúdos mais interessantes que aparecem por lá, mas menos constantes. Só que Iasi não poderia estar mais simpático na foto de fundo. Sério, tentem olhar para o sujeito e não sorrir junto!

Por que seguir:🙂

Por que não seguir: Pouco conteúdo aproveitável se você assiste ao horário eleitoral.

Para dar RT:

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A arroba de Rui Costa Pimenta é o perfil que tem menos seguidores e, pior, segue mais gente do que é seguido. Posta vários links de encurtadores e sem qualquer tipo de explicação. Cliquei em alguns e eles levam a canais do YouTube, ao site do próprio candidato e do PCO — mas e a preguiça de colocar ao menos do que se trata o enderço? A interação com seguidores e praticamente nula e não há respostas a quem envia uma menção ao perfil. Por isso e por dar Rts em vários perfis com ou sem relação ao partido, fica a impressão de que o Twitter é apenas um mero distribuidor de conteúdo do político, em vez de uma ferramenta efetiva de comunicação. Para finalizar, a foto de topo está em baixa resolução e a de perfil, apesar de representar bem o caráter militante e discursivo do candidato, conta com um braço intruso que ocupa espaço demais na imagem.

Por que seguir: Só para ter todos na coleção de seguidos.

Para deixar de seguir: Links de encurtadores poluindo a timeline.

Para dar RT (pareceu interessante e, tadinho, não tem nenhum):

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O operário metalúrgico Zé Maria tenta o cargo desde 1998 e só pulou 2006, mas é o candidato que menos tem algo interessante no Twitter para ser analisado. O antigo slogan do partido, aquele “E chega dos mesmos!”, não vale para a rede social: Rts de apoiadores, notícias envolvendo o candidato e transcrição de falas em entrevistas e debates estão lá. Há postagens da assessoria, mas uma indicação mostra quais são feitas pela equipe. Em outras, é o próprio candidato quem digita. A parte visual (avatar no fundo branco e imagem de fundo ao lado da vice e com o número) é bem parecida com os demais, porém impecável. Mas a interação é quase nula: se uma postagem recebe 10 Rts é muito.

Por que seguir: Discursos honestos e apaixonados ao operário.

Para deixar de seguir: Olha, sinceramente? Não sei. Tanto faz seguir ou não.

Para dar RT:

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